quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Bipolar ou Multipolar...?

O termo bipolar foi adotado pela medicina para rotular um mal conhecido como psicose maníaco depressiva, uma doença do cérebro. A nova denominação, sem dúvida, ficou muito mais bonita, porém, acarreta um problema: bipolar é um termo extremamente abrangente, para definir opostos, contrastes, pares, tanto que, antes mesmo de utilizar-se o termo "bipolar", um derivado desta palavra já era largamente utilizado, pela sua facilidade de assimilação: "bipolarização".

Utilizaram-na muito (a palavra) no período histórico conhecido como guerra fria em frases do tipo "bipolarização do mundo" para ilustrar a divisão do mundo em dois blocos: capitalista e socialista, ou seja, dois pólos. Podemos dizer sem medo de errar que um imã é bipolar, pois apresenta dois pólos: positivo e negativo. Mesmo sem guerra fria o mundo continua sendo bipolar: pólo norte e pólo sul. Até mesmo o cérebro, doente ou saudável, apresenta dois pólos: direito e esquerdo, criativo e analítico. Neste sentido, somos todos bipolares? É lógico que somos! corpo físico e abstrato, carne e espírito. Computadores são bipolares: hardware e software. Bom, bipolar encaixa-se em tudo, até numa receita de bolo, acredito. É uma palavra, talvez, tão indefinida (ou definida demais...), que por isso mesmo utiliza-se facilmente para definir qualquer coisa: tudo que tiver um par, um oposto, ou absolutamente qualquer motivo ou desculpa que encontrarmos para utilizá-la. Nada escapa, olhe para os lados, com cuidado, existe uma conspiração: tudo que te cerca é bipolar! (olhei agora para meu celular, sempre vi-o inocente mas acabei de desmascará-lo: o infeliz é bipolar... e sou participante disto, acreditam??? ao carregar ou não sua bateria, eu mesmo defino seus dois pólos: carregado ou descarregado (bateria) e através da tecla on/off defino os pólos ligado ou desligado...)

Bom, entendendo-se desta maneira, o termo bipolar é um fenômeno único na nossa linguagem pelo que citei no texto acima, por ser utilizado como um "coringa verbal" para rotular qualquer comportamento, por mais comum ou absurdo que seja.

Uma palavra, para ter seu sentido alterado precisa de décadas e décadas, atravessar gerações e gerações, mas (o que direi a seguir, acontece com apenas uma palavra, entre milhares) a palavra bipolar, vejam, nasceu tão abrangente no seu sentido que deveria deixar de ser "bi" para ser "multi". A intenção da palavra até que foi boa, quis ajudar a tudo e a todos, quis explicar toda e qualquer coisa, e, por isso mesmo, mal nasceu e não suportou a carga, acabou explodindo (coitada), querendo explicar tudo, mas na verdade não explicando nada...

Bom, agora para falar sobre bipolar, ou o que deveria ser a bipolaridade, como doença, dentro dos termos médicos, creio que ninguém conseguirá, realmente explicar com palavras, o que é ser bipolar. Mas quem quiser "googar" ...
(viva a capacidade criativa verbal social, eis aí, logo acima, a palavra que surgiu da necessidade ou do mero comodismo, da preguiça de folhear pesados e burocráticos dicionários, pois, como diriam os poetas do agreste, heróis da poesia popular:

"se nóis num sabi
nóis invênta,
nóis só num fica
sem si ixpressá,
fais parti
da nossa
capacidade
di si comunicá!")

mas voltemos ao assunto: quem quiser "googar" o termo bipolar ou bipolaridade, entre tantos sites e blogs, verá que existe, atualmente, um desconforto tanto entre médicos como pacientes psiquiátricos, ou mesmo dos que enfrentam chiliques daqueles que justificam-se dizendo: "desculpe-me, é que sou bipolar"... e o desconforto é, justamente, pela perda da definição daquele que deveria ser um termo médico... mas... sinceramente? Não vejo problema nenhum que os jovens e adultos, enfim, a nossa sociedade como um todo, tomem para si essa palavra até bonita, "bipolar", porque ela é moderna, legal, cool, encaixa-se perfeitamente em qualquer assunto e conversa dos nossos círculos sociais, e não explica nada, mas pelo menos ilustra tão bem, as nossas dualidades, e também os atos racionais e irracionais que surgem conforme a razão, a falta dela, ou até mesmo pela simples conveniência do momento, em que podemos ter atitudes ambíguas. O melhor, mesmo, é deixar o termo bipolar como domínio público para esta juventude bonita. Se encaixará, perfeitamente, ao convívio deles (jovens), pois bipolar é uma palavra também bonita, tanto quanto eles. Fiquem, então, os belos com os belos, e que os psiquiatras utilizem termos e nomes horríveis, como sempre fizeram, para essas doenças mentais que também são horríveis, e no final vai dar tudo certo. Bye.

(Obs: Esse texto foi criado apenas para uma finalidade estética, para preencher um espaço em branco na coluna vertical deste blog, um vazio que incomodava, e surgiu sem pretensões, porém, falou bonito, e, por isso, como prêmio, está sendo replicado, agora, na forma de um post. Fui).

8 comentários:

  1. nada de espaço em branco para preencher uma página de seu blog! foi um texto bem elucidativo! como sempre! ser bipolar, está me mostrando que você é muito sensível e inteligente, com grande descernimento do que sente e que os outros sentem!

    passando para te desejar um fim de semana com o que mais almejes.

    abraço

    ResponderExcluir
  2. esqueçi de perguntar:

    aqui, Portugal é Inverno, e neste momento chove a montes!

    e aí? Brasil?

    ResponderExcluir
  3. Analuz, Sempre uma alegria te ver por aqui. Que bom te ver novamente. Você é exemplo de força, sabia? Aliás, cair em poços é horrível, mas, a sensação de ressurgir, fala a verdade, é uma delícia, não? Parabéns, você é forte. Independente se suas lutas já terminaram ou se simplesmente, neste momento, você está apenas ignorando-as e rindo-se delas. Sobre o tempo aqui, está uma loucura total, este ano as estações misturaram-se: praticamente desde o começo do ano alternando dias quentes e frios, secos ou chuvosos, e muitas vezes alternando-se no mesmo dia, saio com blusa de manha e volto com a blusa na mão a tarde, ou saiu sem blusa pela manhã e volto tremendo de frio a tarde, e o trauma mesmo é sair de manhã vendo um céu limpíssimo, sem nuvens nenhuma, e voltar a noite molhado, debaixo de tempestade... neste sentido, posso dizer, e digo: o Brasil precisa urgente de um psiquiatra, está enfermo, sob o nível mais grave de bipolaridade... rsrs Fica com Deus, amiga.

    ResponderExcluir
  4. Olá!!!

    Primeiro quero te agradecer as palavras tão gentis escritas por você em meu blog.
    Sou uma pessoa comum, que gosta um pouquinho de tudo e que amo a minha cerâmica.
    A cerâmica me fez renascer..me fez crer que eu servia para alguma coisa.
    Todos temos uma capacidade imensa de realização. Mas muitas vezes não acreditamos. E por não acreditar não vamos atras.
    Mas vamos falar da tua postagem que voce tão humildemente escreveu que postou para ocupar um espaço vazio.
    Pois lhe digo ocupou sim. E ocupou com mérito.
    Primeiro admiro voce pela coragem de se nomear como bipolar.
    Geralmente as pessoas não assumem.
    Falo isso porque dentro de meu circulo de amigos tem um bipolar.
    E sei que é muito complicado.

    Bacana é olhar para o olho do bicho e dizer"voce não é maior que eu".

    Além disso bom que as pessoas que convivem com pessoas bi-polares entender o processo. Que bi-polar não é bicho papão. Que pode ser controlado
    ( acredito que possa, terapia, medicação etc ).( se a pessoa quiser e ter concienca do problema.
    E as pessoas que convivem com os bi-polares também tem que ter a conciencia e saber lidar com o problema.

    Na minha concepção bi-polar é quando a pesoa passa de um extremo de normlidade para um outro de agressividade. Mudança de comportamento brusca.
    Nem sempre agressividade, mas as vezes.

    É isso meu amigo...problemas todos temos....sem exceção... o bom é aprendermos a lidar com ela.

    Um abraço, parabéns pelo seu blog...................

    abraço,

    ResponderExcluir
  5. um lugar merecido para este post uma vez que as partes laterais raramente são lidas por quem nos visita.

    sempre oportuno com as palavras que têm o dom de apaziguar os pânicos infundados sobre a bipolaridade como doença.
    de fato o maníaco depressivo era o termo mais próprio para evitar a bipolaridade ou multipolaridade de interpretações. alguém sentiu a necessidade de um desígnio mais soft mas abriu as portas à ignorância e à confusão.
    concordo plenamente quando dizes que todos os comuns somos bipolares porque de fato somos assim como tudo o que é irracional e objeto o é.
    esta situação e vendo-a desta maneira faz parecer que afinal todos somos doentes (mentais) mas não a diferença está desculpem-me os portadores da doença (eu também o sou) no "defeito" já sem remédio por se estar fora do prazo de garantia e que assim revela as limitações consequentes no funcionamento mas enganem-se os que julguem que ser doente bipolar é sinónimo de incapacidade porque isso não corresponde á verdade. incapacidade neste caso de ser doente bipolar é para os fracos porque os que lutam mostram bem a diferença entre incapacidade e capacidade e temos aqui um exemplo de bipolaridade que se aplica a todos os comuns pois todos somos nutridos de capacidade e incapacidades.

    Amigo,
    mantém acesa esta tua capacidade de bem escrever.

    um Abraço

    ResponderExcluir
  6. Ma Ferreira, obrigado por sua presença. Você disse que fui gentil no comentário quer fiz no seu blog, mas na verdade não foi gentileza, realmente eu me rendi ao seu talento. Seu trabalho é fantástico. Na verdade, você que está sendo Gentil, por procurar informações para compor a sua estratégia de convivência, visando conseguir melhor interagir com o bipolar que você disse que faz parte do seu círculo de amizades. Seria mais fácil excluí-lo que aprender a conviver com ele. Isso mostra que você é extremamente humana, que valoriza as amizades e que, independente das falhas (que todos nós temos), você sabe encontrar em cada um as qualidades que, latentes ou não, todos nós temos, e que fazem as amizades valerem a pena. Te admiro. Além de talentosa você é humana. Seja sempre bem vinda. E que Deus te ilumine a faça irradiar alegria a todas as pessoas que fazem parte do teu convívio, inclusive o bipolar (falar para ele que, mesmo não conhecendo-o, eu o amo. E vou orar por ele). Fica com Deus.

    ResponderExcluir
  7. Taí, um pouco acima, o comentário de alguém que, no seu perfil, se auto-denomina "Retrato...". Não sei ao menos seu verdadeiro nome, mas já se fez presença constante aqui e é mais um amigo d'além-mar, junto com a Analuz e LuadeCristal, e outros, que, sempre estão por aqui mas não sei suas nacionalidades, e isso é apenas detalhe, visto que já há muito temos rompido fronteiras. Grande alma, a deste amigo a que me refiro, aqui, neste comentário. Seu Perfil é resumidíssimo mas a foto por sí sugere uma grande alma, quem se arriscar a acessar o seu blog encontrará um grande poeta, e quem lê seus comentários que tem deixado em algumas postagens por aqui, encontrará um homem extremamente valente, que enfrenta de frente seus males e ri-se, quando pode, de sua doença, pelo que torna-se quase impossível não citar Fernando Pessoa, esse grande cidadão de Portugal e do mundo, que escreveu "Tudo vale a pena se a alma não é pequena". Pego carona nesta frase de Pessoa, talvez a mais citada e conhecida por todos que amam poesia, e permito-me uma pequena adaptação, apenas para o momento, que se enquadra perfeitamente à atitude demostrada por esse grande amigo que se auto denomina "Retrato...":

    "NENHUM MAL É REALMENTE GRANDE SE A ALMA NÃO É PEQUENA"

    (Perdoe-me, Pessoa, pelo empréstimo do teu material, e que tua memória seja coberta de honras (como poeta)).

    Fica com Deus, amigo. E seja sempre bem vindo.

    ResponderExcluir
  8. Meu mundo e o mundo dos normais

    Não queiram entender meu mundo
    Repleto de idas e vindas, de altos e baixos,
    Mundo de duas vias, de duas faces
    Meu mundo é uma confusão, é um misto,
    Minha vida errante só traduz isto:
    Alegria extrema, angustia e desespero.
    Pudera o viandante de mim
    Ter a pacata vida dos que andam e cantam
    Travestindo a loucura em normalidade
    Numa época em que normal é ser louco.
    Ah! Minha insanidade ri dessa condição:
    Louco é quem atira pedras, rasga dinheiro.
    A falta de amor não é loucura
    O consumismo não é solidão e desespero
    Viver de aparências não é paranóia, é status.
    Meu mundo misto, desesperado...
    Minha insanidade patológica
    Caminha tão longe disso
    Que me sinto um normal
    Rodeado de loucos.

    http://www.daviroballo.blogspot.com.br/2012/04/meu-mundo-e-o-mundo-dos-normais.html

    ResponderExcluir


Comentários estão liberados por tempo indeterminado, pois não terei condições, por algum tempo, de moderá-los (estarei sem internet durante algum tempo então não sei quando exatamente retornarei) por isso comentem a vontade e os comentários serão publicados automaticamente, porém, fica assim, logo que consiga voltar e lê-los, caso haja algo ofensivo ou inadequado, irei deletá-los, ok? (porém, tenho que ser justo: todos que passaram aqui e comentaram ou não, até este momento, só trouxeram alegrias). Ah, sim... ainda em tempo, há um post muito indigesto neste blog, se chama "Será que vale a pena...?", este post é tão horrível que, até este presente momento, só mesmo eu tive coragem de comentá-lo, por isso, para promover aquele texto (poema????) horrendo, os heróis (que Deus lhes proteja) que conseguirem comentá-lo concorrerão a uma caixa vazia do meu remédio faixa-preta, com uma dedicatória e meu autógrafo. Fiquem com Deus, assim que possível, retornarei. Bye.