segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Como tocá-Lo... (Parte 1)


Uma mulher trazia, sobre si, grande enfermidade. Tendo gastado todos seus bens, não alcançara a libertação. Percebeu, num momento, grande movimento, muitas vozes, um povo oprimindo-se e caminhando na mesma direção. Questionando do que tratava-se, disseram-lhe ser Cristo vindo pelo caminho, cercado, por grande multidão...

Ela sabia do que tratava-se. Conhecia-o apenas por nome, mas ouviu falar muito sobre o poder que estava Nele. Ele estava ali, mas não veio por ela ou para ela, aliás, nem ao menos tomou conhecimento da sua presença, ou de qualquer outra pessoa, dado que simplesmente rompia a multidão, indo a um destino: a casa de Jairo, já que fora-lhe anunciado que havia uma enfermidade e o Espírito de Deus movia-o para lá. Ela desejou ser ouvida e curada por Ele, de desenganada e desiludida começou a imaginá-lo como último recurso, desejou chamá-lo, porém, sabia ser impossível sobrepor com a voz tantos gritos, então pensou, não posso ser ouvida, e nem detê-lo no seu caminho, mas, quem sabe, se conseguir romper a multidão, não sendo vista ou notada ainda posso ser libertada, se ao menos tocar na orla dos seus vestidos? E partiu para o meio da turba, lutando por seguir Seu passo. Não estava em vantagem alguma, pois ao começar sua marcha a multidão já estava formada. Avançou entre a multidão palmo a palmo, com ânsia de vida, como o submerso que busca a tona para respirar, foi atrás de sua última chance, sem nada a perder, sabendo que, perdida por perdida que estava a vida, nenhum mal a mais lhe seria acrescentado, se fosse pisoteada ou agredida. A cada metro mais próximo, maior era o aperto, e já à apenas um metro deles, os próprios discípulos faziam-se paredes, na intenção de protegê-lo. Num momento, num movimento que corpos são empurrados para um lado e outro, em que ela apenas viu a direção em que estava Alguém que todos tentavam tocar, ela esticou um braço que mesmo esticado não conseguia Lhe alcançar, até que, ainda que rapidamente, não teve dúvidas que sua mão conseguiu tocar a orla dos seus vestidos...

Ele parou, no exato momento, pois percebeu que a virtude moveu-se dentro de Si, e espantou-se... era acostumado a escolher a quem libertaria, mas alguém aproximou-se e apossou-se de uma libertação que não era predestinada para si... Cristo não repreendeu-a, antes amou-a, porque para arrancar Dele um milagre, algo não programado ou escrito, é preciso ter fé, muita fé... e ela tornaria-se útil a partir dali, pois tornou-se um símbolo: de que Cristo jamais despede vazio, aqueles que tocam-Lhe com fé...

Ei! Continua insistindo! Não te intimides com a turba, com o grande conglomerado, com todas as barreiras impostas pelo inferno, visando impedir-te de tocar-Lhe... O milagre, Nele, é uma virtude latente! Ele é o nascedouro dos milagres!!! E Ele passa, como que indiferente, mas deixa a orla tremulando, gentilmente, e dentro do coração te clama, Por favor, toca-Me! SIrva-se, escolhendo teu milagre! Porque quem tocar-me, com fé, na orla do meu vestido, ainda que venha vazio, LEVARÁ NO BORNAL O IMPOSSÍVEL....

Fica com Deus...

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Como tocá-lo... (Parte 2)



Ele havia aprendido muito bem a lição da mulher do fluxo de sangue: basta vencer a multidão que oprime-O, conseguir aproximar-se, e tocá-Lo com fé, muita fé... Bom, o difícil, mesmo, é ter a sorte de estar no mesmo tempo, espaço, lugar onde Ele está, dado que o mundo é imenso, mas... Que maravilha! Ele veio de outros lugares e estava ali, caminhando pelas ruas da cidade! O homem animou-se, Repete-se o mesmo cenário encontrado pela mulher do fluxo de sangue: Cristo vindo pelo caminho, uma grande multidão oprimindo-Lhe, e basta, apenas, que eu vá a Ele, vencendo a multidão, e toque-lhe nas vestes com fé! Sim, com a fé! E fé, nele, havia de sobra, mas, lembrou-se de um pequeno detalhe: era cego.... de nascença... Fora uma vida inteira mendigando às margens das ruas de Jericó... logo, como romper a multidão se, até para seguir caminhos solitários, precisava de auxílio de terceiros? Como identifica-Lo se, desde o nascimento, fora privado de conhecer rostos, mesmo dos mais próximos? Meu Deus, preciso chegar a Ele, apresentar-lhe minha fé, mas, pobre de nós, eu e minha fé, que não conseguimos dar, ao menos, um único passo, sem o risco de uma queda... Bom, nem sempre vem-nos a sorte, a passar diante de nós, mas quando vem, deve-se pensar e agir rapidamente... O pensamento: Não tenho visão, é fato, mas tenho voz, ao menos isso... E paralelo aos pensamentos, que são silenciosos, a turba trazia seus barulhos, típico das grandes multidões quando vão-se em movimento… eram ruídos, sons, murmúrios, misturando-se numa massa de sons indiscerníveis, inerentes aos grandes conglomerados… e, de repente, ouve-se um som, uma voz, um grito da alma, que sobrepujou em volume todo o barulho que seguia em volta de Cristo, JESUS! FILHO DE DAVI! TEM MISERICÓRDIA DE MIM! JESUS! FILHO DE DAVI! TEM MISERICÓRDIA DE MIM! O Mestre parou. Fora tocado. Não por uma mão, mas por uma voz, por um grito... Mandou trazer-lhe e perguntou-lhe, O que queres que Eu te faça? Veio a resposta, Mestre, que eu veja... e o decreto: Vê, a tua fé te salvou...

Entendeu? Se as guerras te privam de enxergá-Lo, impondo-te limites e travando teus caminhos, não importa que ainda não consigas vê-Lo, o importante é saber que Ele está sempre próximo, e se elevar-des a voz da alma, tanto quanto possas, Ele vai te ouvir. E parar. E enviar Seus anjos a buscar-te. Ele já ouviu o teu choro e gemido, que dirá o teu grito? Continua clamando, não importa se a mulher tocou-lhe com a mão, na orla do vestido, ou se o cego tocou-lhe o coração com um grito. O importante é que os dois tiveram fé...

Seja acrescentada a tua fé, no nome de Jesus Cristo...

Fica com Deus...

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Como tocá-lo... (Parte 3)


Um homem trazia consigo o filho que era acometido por muitas enfermidades. Enfermidades essas, que, na verdade, eram um espírito imundo que possuía-o. Chegando em dado lugar, deteve-se junto à uma pequena multidão, na qual haviam alguns discípulos de Jesus, e pediu-lhes auxílio sobre aquela causa. O espírito ruim manifestou-se sobre o menino, naquele momento, e iniciou-se um pequeno tumulto. De repente, sem que houvessem previsto, veio-lhes ao encontro o próprio Cristo, perguntando-lhes o que acontecia. Nossa mãe! Que sorte, pensou o homem, a necessidade era presente, manifestando-se naquele exato momento, e apareceu-lhe Aquele que já libertara à muitos, inclusive em piores situações... Bom, o pai do menino acreditou estar em grande vantagem, bem mais que outros que também trouxeram dificuldades diante de Cristo, sabia estar em melhores condições que a mulher do fluxo de sangue pois essa teve que romper a multidão e alcança-lo e tocá-lo, o cego de Jericó teve que pará-lo com os gritos e a Ele ser levado, porém, ele próprio, o pai com seu filho endemoniado, estavam ali, parados, e o Próprio filho de Deus veio-lhes ao encontro, sem ser buscado ou chamado, e questionou-lhe qual o problema... Por esse fato, sentia que estava garantido o milagre... Contou-lhe, então, que Seus discípulos não conseguiram expulsar o espírito, e perguntou-Lhe, já sabendo a resposta, Tu podes expulsá-lo, não pode? Mas, em vez de ouvir um SIM, o que ouviu foi TUDO É POSSÍVEL AQUELE QUE CRÊ.... Essas palavras pesaram: porque Cristo tocou justo nesse assunto? Foi direto na ferida! Nem de longe havia, nele, fé semelhante a da mulher do fluxo de sangue ou do cego de Jericó... e agora? Ao dizer-lhe essas palavras, Cristo lançou-lhe toda a responsabilidade, de alcançar a cura ou não... O homem olhou para dentro de si, reconhecendo não possuir fé suficiente, e então decidiu, ao invés de forjar uma fé falsificada, ou fingir fé numa proporção inexata, preferiu rapidamente dizer-lhe, com lágrimas, Eu creio, ajuda-me na minha pouca fé... e Cristo repreendeu o espírito, voltando o pai para casa com o filho que foi liberto na mesma hora...

Hum… Interessante... para alcançar um milagre da parte de Cristo, é necessário ter fé, mas o homem alcançou um milagre mesmo confessando ter pouca fé (?)... Bom, percebendo ou não, apresentou a Cristo algo que, ainda que não seja a fé propriamente dita, é na verdade outra moeda valiosíssima que também tem o poder de alcançar o coração de Deus: a sinceridade… E, também, venhamos e convenhamos, o homem disse que a fé precisava de ajuda, mas sugeriu haver crença de sobra, porque ao dizer "Eu creio, ajuda-me na minha pouca fé..." , foi como uma afirmativa em que dissesse, Olha, minha fé é pequena, reconheço, mas creio tanto no Teu poder, que consigo crer que, além do poder para operar o milagre, ainda tens poder de sobra para acrescentar em mim a fé que necessito para alcançá-lo...

E aconteceu, Glória a Deus... Duas partes envolvidas, para que houvesse milagre um deveria ter poder para operar, e o outro fé para alcançar. Porém, quem não tinha fé arriscou uma barganha, como se fora um homem que procurasse valores no bolso e dissesse, Puxa vida, não trouxe a moeda da fé para comprar o milagre, mas encontrei, ao menos, moedinhas de sinceridade no bolso, posso pagar-Te com elas? Negócio fechado.

Viu, na tua grande guerra e luta, se a tua fé for insuficiente, vai a Ele com a sinceridade. É arriscado Ele fazer a parte Dele, e de sobra ainda fazer a sua...

Fica com Deus…

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Como tocá-lo... (Parte 4)


Havia uma mulher que insistentemente caminhava atrás de Cristo, pedindo-lhe misericórdia na sua causa. Cristo ignorava-a, porém ela mais ainda clamava, mesmo não obtendo resposta... Os discípulos tentaram resolver o impasse, dizendo-lhe, Atende-a, para que não mais clame atrás de nós, até onde nos seguirá? Cristo respondeu-lhes que viera às ovelhas da casa de Israel, porém a mulher era de outra nação. Ela avançou, alcançando-O, e, prostrando-se, clamou, Socorre-me! Numa resposta rápida, Cristo disse-lhe, Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos… Ela, ao ouvir essa sentença, respondeu-lhe rapidamente, em tom de rogo e humildade, Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa do seu dono... Cristo decretou: Faça-se contigo como queres, e desde aquela hora a filha daquela mulher ficou sã...

Bom, foi um diálogo rápido, curto, porém interessante... Antes de acontecer o milagre, houve duas frases curtas e figurativas, porém, com conteúdo imenso e profundo, num sentimento que comoveu até mesmo Aquele que está acima das nuvens, assistindo esse mundo... Ora, buscando o sentido nas duas falas, sabemos que um cão, por mais que receba e doe afeto, sendo a alegria dos filhos e de toda a casa, jamais assentar-se-á a mesa com a família, antes comerá seu pão no chão, sem resignação... Pode-se, até, dizer, em sua morte, que "era como se fosse parte da família", porém, ainda que haja afeto, nunca terá herança e, mesmo estando na casa, jamais ocupará o lugar de família, mas sim de animal. E, em tempos de escassez, jamais deixarão o filho faminto para alimentar o animal. Havia escassez de esperança e salvação em toda a casa de Israel, e na brevidade dos dias de Seu ministério, Cristo não desperdiçaria o curto tempo indo agora aos filhos de outras nações, até porque, estava apenas lançando a semente da salvação, e sabia que, após sua morte, aí sim, Seus apóstolos receberiam esse encargo, o de disseminar seu evangelho a todos os povos, sobre toda a face da terra... Bom, foi muito forte o que Cristo disse a mulher, ela poderia tomar por grande ofensa e diminuição, mas, em vez de refutar, assimilou o sentido e respondeu-Lhe, dentro do mesmo quadro, aceitando ser colocada, diante Dele e da casa de Israel, à condição de um simples cão... e, na curta resposta que deu-Lhe, ao dizer-Lhe que os cães comem migalhas, foi como afirmar ter consciência que um cão jamais será família, porém, ainda que não seja digno de assentar-se á mesa, aceita sem resignações ficar no chão em silêncio, e alimentar-se-á dessa forma, não com talheres num prato a mesa, mas com a boca ao chão, lambendo restos, e é dessa maneira que, esperando migalhas que cairão acidentalmente, é assim que também participará do pão da bênção, que é repartido numa casa... E, mais ainda, no sentido e forma que respondeu-Lhe, foi como dissesse, Aceito que não sou digna de receber um pedaço inteiro mas não despeça-me vazia, estou faminta, mata minha fome, deixa cair para mim, ao menos, uma pequena migalha, e já serei uma abençoada. Se não mereço o parte dos filhos, então, por piedade, dá-me ao menos as sobras, porque não é tirado e nem roubado, e sirva-me então dessa maneira, de restos, pois, visto que não sou digna de assentar-me à mesa, então diante de Ti lamberei o chão… Dê o pão aos filhos, mas não negue as migalhas aos cães... Glória a Deus... bonito, não? A humildade comove... emociona... meu Deus... quanta beleza nessa virtude chamada humildade, e no ato daquele que a si próprio aniquila, e vemos como a própria mão de Deus o exalta… A humildade causa choque, comove Deus, o céu e os anjos... tem a propriedade de mudar, muitas vezes, o coração e a intenção original de Deus, e, dir-se-á, até, que, o Deus que tudo pode e não tem fraquezas, na verdade tem fraqueza diante da humildade, pois quando é tocado por ela, muitas vezes num ímpeto faz o bem que, por justiça, Ele mesmo decretou que jamais iria fazer... Meu Deus... Entendeu? Põe essa pedrinha, também, no seu alforje... e toca Nele com fé e sinceridade, mas também com humildade. Ela é sua grande aliada, quanto mais você conseguir diminuir-se diante Dele, não em obras, mas em altivez, mais Ele crescerá diante de ti, e fará coisas grandiosas além do que você espera... Ele parece irredutível e impassível, sentado em Seu trono, mas, na verdade É extremamente emotivo, e deu-te acesso direto através do Seu Filho. E não está nem um pingo incomodado por você ter descoberto Seu ponto fraco: a humildade… quer tocá-Lo? TOCA NELE COM A HUMILDADE! Ele quer ouvir-te. E emocionar-se com tuas palavras...

Fica com Deus…




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Como tocá-lo... (Parte 5)


Era um belo sábado, o homem estava deitado à beira de águas que calmamente refletiam o sol. Não, não era um banhista, ou alguém em momento de lazer; na verdade era um cenário urbano, local público, uma multidão ao lado de um enorme tanque. Estar deitado era-lhe fácil, o difícil, ou impossível, seria levantar-se, dado ser paralítico. De nascença... Em volta do tanque haviam não só ele, mas muitos enfermos, esperando atentos o momento que um anjo viria agitar as águas, pois o primeiro que mergulhasse após esse fato consumado sairia dali completamente curado, independente da enfermidade... Olhando à volta via diversos males, doenças crônicas, incuráveis, porém julgava-se o mais desafortunado, dado que todos sofriam suas dores e consequências, mas, ao menos, iam e vinham com suas próprias pernas, sendo que ele nem ao menos podia levantar-se, e dependia que trouxessem-no e levassem-no todos os dias... para quê? Bom, na prática só para ver os que entravam nas águas e eram libertos, quando o anjo aparecia… Explico: todos levantavam-se, corriam, pulavam, jogavam-se nas águas, mergulhavam, mas... e ele? Levantar-se era impossível pois a única parte do corpo que movia-se era do pescoço para cima, então, ao perceber o tumulto e correria, simplesmente virava os olhos para ver entre todos o único afortunado, que saía das águas comemorando a libertação e a cura... Apesar que, era momento raro, já que o anjo não aparecia todos os dias, sabe-se lá de quanto em quanto tempo vinha, mas, independente do intervalo e frequência, ele era um homem sem chance nenhuma, comparando-se aos enfermos que tinham ao menos movimentos. Apesar de consciente de suas limitações, todos os dias estava ali, em dias de sol ou de chuva, na esperança infundada que, talvez, um dia, após o anjo movimentar as águas, outros levantassem-no e mergulhassem-no nas águas... Era um homem gentil, solitário, carente... foi educado quando um curioso perguntou-lhe à quanto tempo estava paralítico, respondendo-lhe, há trinta e oito anos... e, de tão carente de pessoas que quebrassem os momentos de solidão e silêncio, responderia-lhe qualquer pergunta, mesmo o óbvio, e o estranho perguntou-lhe: queres ficar são? A resposta: Sim, mas não há ninguém que me ponha no tanque quando o anjo movimenta as águas... e no mesmo momento ouviu da boca do desconhecido, Levanta-te, pega esta tua cama e vai para tua casa... e na hora levantou-se, dir-se-á que, em partes, não por crença ou obediência, mas pelo grande susto de sentir todos os ossos estralando, encaixando-se rapidamente, dentro de si... pegou sua cama improvisada e saiu andando, para assombro daqueles que nem perceberam a conversa do paralítico com o estranho, que já não estava por ali. Passado alguns momentos, ocultamente, o próprio Cristo veio-lhe novamente, e apresentou-se…

Bonito, não? Bem, cabem algumas considerações importantes, aqui: o paralítico não foi à Cristo tocar-Lhe a orla, não chamou ou gritou por ele naquela hora, e o milagre não foi condicionado a ele acreditar ou não, a ter fé ou não. E, além de não ter pedido nada, ELE NEM AO MENOS SABIA QUE ERA CRISTO QUEM FALAVA COM ELE... aliás, o filho de Deus não apresentou-se, não disse-lhe quem Era, o paralítico julgava estar falando com uma pessoa comum… Cristo não disse-lhe creia, ou tenha fé, ou acredite, simplesmente deu uma ordem. Incondicional. E o paralítico foi liberto na hora... Glória a Deus, maravilha, mas... onde entrou a fé, tão necessária, para alcançar-se milagres de Deus? Bom, a fé não será identificada no momento desse milagre, mas percebemos ao menos uma virtude sublime, mais uma virtude, que também tem o poder de tocar no céu, em Cristo, em Deus: a paciência… a paciência foi aplicada durante trinta e oito anos... Se não tivesse-a, teria desistido à muito tempo, mas… porque teve paciência de esperar tanto tempo? Opa! Olha a fé aqui! Acabamos de encontrá-la! Ele teve paciência porque A FÉ trouxe-lhe esperança que, apesar do tamanho do impossível, um dia seria lembrado por Deus... E, quando Cristo veio-lhe, não questionou se havia fé, não esperou ser tocado na orla, e nem testou sua humildade, porque o homem, durante trinta e oito anos conseguiu tocar o céu com esperança e fé, e, em vez de blasfemar, aceitou seu opróbrio diante de Deus, com humildade e resignação. Não era necessário provar mais nada... Cristo não veio testá-lo, veio somente trazer-lhe a libertação...

Entendeu? Tenha paciência para estar à beira do tanque, ou dentro da Casa de Deus, sempre. Aconteça o que acontecer, continua aí. Porque, para Deus, ter paciência e esperança significa ter fé. E, se você tiver paciência de esperar nele, não desistindo Dele, alcançará das Suas mãos a vitória tão desejada, que a cada dia que passa, está mais próxima de ser alcançada...

Fica com Deus...

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Como tocá-lo... (Parte 6)


Quantas histórias belas, que fazem-nos chorar... Bom, esse texto é o último que escrevo sob esse tema (“Como tocá-lo…”), ele fecha o ciclo daquilo que senti de escrever e compartilhar com você. Essa é a sexta e última parte, porém deixo claro tratar-se de uma história inacabada, que vai sendo escrita no tempo presente, e o personagem dessa história inacabada de luta, dor e sofrimento, é você! Não desista da sua história! Não desista da sua fé! Não desista de confiar e esperar em Deus! Porque no fim, quando Cristo aparecer (Ele vai aparecer...) você terá motivos de sobra pra chorar de alegria e soltar o tão esperado grito de contentamento e felicidade... e quando lermos ou soubermos da tua história, vamos nos emocionar, nossa fé será edificada, por sabermos de tuas grandes dificuldades, mas também da tua persistência, e veremos, sim, se você não desistir e continuar lutando, o tão grande livramento e milagre que Deus fará por você… e, acredita, quando ouvirmos sua história, seremos cobertos de força e fé, por saber que, por nós, Deus fará coisas belas, tão belas quanto as que Ele mesmo fará, a respeito da sua causa...

Fica com Deus...

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Queira Deus...


Queira Deus, que em tempos de peregrinação e fuga, nas noites frias do deserto, a asa do anjo seja nosso cobertor...

Queira Deus que o anjo engenheiro, que pavimenta a grande escada que liga os dois extremos, terra da nossa prova e Trono do Todo Poderoso, possa acertar o ângulo para que já os primeiros degraus estejam colocados ao lado da pedra, a qual restou-nos como cabeceira...

Queira Deus que o anjo que vela pela nossa alma, e atravessa conosco a noite fria até que venha a alva, seja gentil ao contendermos com ele, e dê-nos todas as chances de vencê-lo, e aceite ser dominado por nosso abraço tímido, recebendo como um golpe aquilo que, na verdade, para ele é como um simples afago, e que somente tenha por perda se voltar para o céu sem ter-nos abençoado...

Queira Deus que a força das chamas da fornalha sejam anuladas, que não cause mais dor, mas, se causarem, que ao menos faça-nos esquecer a dor que já trazemos dentro da alma...

Queira Deus que os leões famintos tenham alterações nos sentidos, que não vejam-nos, cheirem-nos, ou escutem-nos, mas que na sua fome desmaiem, até que os livros sejam folheados, permanecendo em sono profundo...

Queira Deus que o caco de telha tenha efeito analgésico, antisséptico, que não seja áspero, ou poroso, e alivie a dor, porém, preservando a nova pele que tenta formar-se e cobrir as feridas que ainda sangram, abertas...

Queira Deus que nós, crédulos mas inconstantes, um dia fortes outro tremulantes, possamos atingir os marcos estipulados por Deus, no seu tempo, para que em vez de estarmos fadados a vergonha eterna e esquecimento, sejamos contados entre o grande coral de vestes brancas, que entoará o hino avulso por excelência, intitulado o HINO DA VITÓRIA...

Fica com Deus...
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Prisões...

Ah, é como um sonho, ânsia de vida, quando abre-se a porta, não de entrada, mas saída... único escape, ainda trancada, em que a esperança de, um dia transpô-la, nenhuma mais havia...

Jazia, Jeremias, plantado na lama, fundo do poço, até que, revolvida do poço a tampa, não sabia se atirarariam-lhe pedras ou lanças, mas recebeu corda de trapos modesta, que com dores trouxe-lhe a borda... mas, que venha a luz, tá de bom tamanho... dor, nessa hora, é o que menos importa, faz-se bem-vindo tudo que arranca o homem do poço e da lama, fazendo da prisão um passado lançado às costas...

José, em agonia, hóspede forçado ao calabouço, sem esperança nenhuma… cuidou, talvez, ser um sonho, ao ouvir, Ei, prisioneiro! Levanta-te e sobe, da prisão à sala do rei, que ouviu os rumores do sinal do teu Deus em ti... Parabéns, ganharás, agora, um banho e corte de barba, e túnica bela e ornada... túnica de transição, apenas, não será, na verdade, a definitiva, e não terá o sinal do amor da primeira túnica, que Jacó tingiu com belas cores, mas teus irmãos tingiram-na de sangue, e nem tão pouco será a próxima túnica, definitiva, qual ainda virá, de governador do Egito, para o homem que Deus tira do calabouço, para que o Sol a lua e as estrelas, venham e prostrem-se diante de ti, e entendam que Deus te ama...

Jonas não via caminho, entre abismos, morte escuridão, mergulhos profundos, semi-morto, semi-vivo, semi-digerido, nos espasmos do estômago, esmagamento importuno, regado pela bílis de um fígado que tentava digeri-lo, teve por golpe final e mortal as paredes do estômago contraindo-se, mas... eram meros espasmos, ânsia, de um grande peixe que, Deus ordenou, viesse a tona, abrindo o caminho, a porta, boca cerrada, vomitando-o de volta para a vida, planos e caminhos, não do homem, mas de Deus, e por isso mesmo jamais abortados ou esquecidos...

Lázaro, caso tão diferente... nem sabia que jazia em prisões, prisões da morte, porque mortos não sabem de nada... mas, ao despertamento de quem mais não jaz, ainda que pulando, envolto, amarrado por faixas, quem segue o caminho da Voz e da Luz, sempre, mesmo arrastando-se, encontra, da saída, a porta...

Paulo e Silas, sob o aviso: Vêde, as portas das cadeias abriram-se, saide, e ide a vossas casas, já não existem cadeias, e nem prisões ou portas... A resposta: Amigo, estávamos cantando, viestes atrapalhar-nos na melhor parte, agora que Silas faria a segunda voz e eu o soprano... amigo, na verdade só estaremos presos, de verdade, se um dia o demônio conseguir apagar de nós o sinal de Deus, e calar o cântico que está na nossa boca... mas, deixa pra lá... Silas, não perde a comunhão, puxa aquele hino avulso, bonito, que você compôs quando éramos conduzidos à torturas, presos transportados em porões...

Hum... gente boa, esse Paulo de Tarso, não? Quer saber? Julgo estar certo o que foi por ele dito: seremos livres enquanto o inferno não calar nosso cântico! Então, como disse o salmista:

"Cantai, sim, ao Senhor, um novo cântico! Porque Ele é bom, e sua benignidade dura para todo o sempre..."

Dá um Glória...

Fica com Deus...

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Paz...

Sim, a paz, tá de bom tamanho, a paz de Deus... há ocasiões em que o necessário e essencial é somente isso: paz. E de preferência, a de Deus... visto que, naquilo que esperamos, há coisas que podem ser antecipadas, porém outras não, estão cronometradas, virão no tempo de Deus, de forma que jamais chegarão atrasadas, mas em compensação, por maior que seja nossa emergência, de forma nenhuma se adiantarão… e, nesse intervalo, tempo presente e tempo da nossa libertação, nosso grande aliado é a paz de Deus dentro do nosso coração. A falta de paz intensifica os medos, mina as forças, aumenta o fardo, e, além de não mudar o quadro, inicia e soma novas guerras às guerras atuais... Agora, a PAZ de Deus, tem propriedades interessantes:

Faz um homem alvejado por pedras preocupar-se apenas com a visão de Deus assentado em seu trono, no céu, cercado por anjos...

Faz um homem dormir, em prisões, acorrentado, mesmo sabendo que, ao amanhecer, seu desjejum prometido será uma espada aguda a traspassar-lhe o ventre...

Faz um homem aterrorizado pela tempestade acreditar que o mar pode ser tão domesticado, ao ponto de permitir caminhar sobre sua face como se fora um tapete...

Faz um homem dormir entre leões, no mesmo espaço, compartilhando o calor e  macies da mesma pelagem, contra o frio de uma cova escura e carente de conforto…

Aleluia! Faz um menino, pastor de ovelhas, acreditar que quem tem Deus entra de peito aberto nas pelejas, independente da forma como o inferno arma-se e veste-se, porque sabe que, uma das muitas especialidades de Deus, é derrubar toda a sorte de gigante…

Ei, tudo bem? Como você está, agora, diante de todas tuas lutas? Fica em paz! Que haja paz! Que a paz de Deus esteja em teu coração! Olha, está chegando o momento e a hora de Deus, e Ele não irá decepcionar-te Na verdade, fará algo que dá-Lhe muita alegria e prazer: mostrar aos que ousam acreditar Nele, que vale a pena esperar e confiar em Deus... Dorme em paz! O tanto de lágrimas que você derramou é proporcional ao tamanho do milagre que irá abraçar… descansa Nele! E que nesta próxima noite a asa do anjo cubra-te e aqueça sua alma com a paz...

Dá um glória...

Fica com Deus…

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O Cortejo...

A morte, desde sempre, a física, cerebral, clínica, é um abismo intransponível, que separa os vivos daqueles que já partiram. Todos os povos, gerações, culturas, estendem o pranto e luto por muitos dias, na partida de um ente querido, dado que, cumprindo a morte seu papel, nada resta a fazer, a quem fica, senão chorar...

Os amigos e familiares vem estar juntos no momento mais difícil, e emprestar o ombro amigo, compartilhar parte da dor. Choram juntos, velam juntos, e saem juntos para o ultimo cortejo, numa procissão silenciosa, que segue em fila, seguindo o trajeto, até chegar ao lugar do último pouso e descanso, onde são cobertos de pó, um dia, aqueles que do pó vieram e ao pó retornarão...

Momento de silêncio e respeito, enquanto segue a fila do cortejo, não importa se o corpo vai numa urna, ou envolto em tecidos, se vai sobre um carro, ou sobre os ombros numa maca de improviso, até o estranho para, e espera, pacientemente que a fila passe, não interrompe-a, ainda que não conheça quem partiu ou quem fica, por simples respeito a dor alheia...

Houve uma comoção imensa, a cidade era pequena, muitos conheciam a mulher que chorava, indo a frente do cortejo, ao lado do corpo do seu filho. Viúva, indo sepultar aquele que era seu único filho, o que havia-lhe sobrado como consolação, de dias de tristeza e solidão, foi-lhe tomado agora, causando grande comoção...

A marcha silenciosa vinha, seguindo o corpo, e em cada rua que passava, homens e mulheres saiam de suas casas, comércios fechavam suas portas, e a fila do cortejo aumentava, reunindo em fila espessa uma grande multidão...

Seguiria normalmente seu curso, o cortejo, não fosse algo que soou como afronta: surgiu, de uma esquina, um homem que vinha, com aspecto de andarilho, não trazia dois alforges ou duas capas, era seguido por um bando de moribundos e maltrapilhos, que disputavam estar ao seu lado…

Eram dois cortejos, em sentidos opostos, um teria que desviar, mudar o rumo, que desviasse então o cortejo que não vinha de velar o seu morto...

Seguiram firmes, na marcha, até que pararam, um defronte ao outro. Injúria! Afronta! Desrespeito! Pararam a fila dos que choram o choro sem consolo! Quem ousa interromper o curso da morte? Ninguém pode parar o cortejo da morte! Ninguém! Ninguém? Bom... alguém pode, sim: a Vida! A Vida pode...

O desconhecido tocou na esquife, e disse, Mancebo, levanta-te. O menino levantou-se rapidamente, aliás, gesto sábio, porque ninguém, seja homem, anjo, demônio, ou até a morte, ousa dizer-lhe não, ao receber uma ordem... que maravilha! O Homem que entrara em Naim estava chegando de Cafarnaum, onde na casa do centurião não entrou, mas disse uma única Palavra e o enfermo sarou. E agora, em Naim, não enviou somente a Palavra, veio pessoalmente, e o morto ressuscitou... Seu falar, apenas, por sí, é maravilhoso, mas Seu chegar é magnífico. Quando Ele fala o enfermo sara, mas quando chega até ao morto ressuscita... Ei, na tua causa, por aquilo que você chora, ainda que Ele permaneça distante, mas envie uma única Palavra, te basta? A Ele não. Já está decidido, virá. Pessoalmente. E tirará de ti as vestes de luto, e te vestirá para festa da Sua chegada, com vestes que Ele mesmo trará. Levanta-te! Corre! porque o tempo é breve! Prepara-te! Adorna tua tenda! Ele levantou-Se do Seu trono, e está vindo para um encontro. De frente. Com você. Com tuas lágrimas...e com tua prova...

Ele está chegando. Dá um glória...

Fica com Deus...

O retorno…


Houve espanto dado a quebra de silêncio, e os que ouviram, desde longe, o som crescente de animais em seus mugidos, saíram a ver vacas de leite em marcha firme, seguindo um trajeto mesmo sem alguém a conduzi-las... Eram obstinadas por chegar ao seu destino, e o alarido crescente de suas vozes eram como buzinas... Emissárias de Deus mesmo não tendo consciência, eram a parte visível no cortejo, fora os anjos que sobrevoavam o caminho... Ah! E a carga... essa era a missão: atreladas a uma carroça, traziam preciosa carga, a arca sagrada que antes fora tomada, mas à Seu dono verdadeiro, agora, mesmo não requerendo-a diretamente, decidiram mandá-la de volta...Ora, o ato de devolver não foi gesto espontâneo, visto que, antes, na verdade, houve a passagem de Deus na terra de um povo estranho... Iludiram-se (pobres homens...) ao julgar que o que é de Deus pode ser tomado e levado ao subjugar um soldado ou todo um exército... MAS NÃO CONSEGUIRAM E NEM QUISERAM RETÊ-LA!!! Que sábio conselho dos magos à seus reis, Não sejamos obstinados como os egípcios, que só deixaram Israel partir após serem de todo aniquilados, devolvamos a arca antes que venha o Senhor e destrua totalmente a nós e nossos deuses, dado que muito já tem-nos machucado... Ah! Trazei, trazei a arca! Colocai-a sobre uma carroça, depositai junto a oferta de expiação de nossas culpas, e atrelai vacas de leite, e não enviai condutor, pois será que, se os animais abandonarem suas crias, e seguirem pelo trajeto sem ninguém a conduzi-las, saberemos não ser coincidência nossas feridas, mas que fomos feridos pela mão do Senhor... Ah, quão mau presumido foi, no passado, a parteira nomear como Icabô o filho prematuro da mulher que concebeu ao ouvir a notícia de que a arca fora tomada... como a dizer, nunca mais voltará, acabou a glória, acabou a alegria, NÃO! NÃO ACABOU NADA! Nem começou ainda! Os dias de alegria voltarão! Virão pelo mesmo caminho que vistes partir! Se sua benção foi retida no inferno, o próprio inferno vai ter que soltar! E Não será por bondade que o demônio te devolverá, mas por não ter interesse em ser destruído ainda antes do dia em que Cristo voltará... mas, e se aquilo que a guerra levou nunca mais retornar? Fica-te em paz: é porque Deus tem algo muito melhor pra te dar, e em vez de cortejo de vacas puxando carroças, terás carruagens com cavalos de fogo, e um anjo a trazer-te boas novas, junto com a boa parte escolhida que ninguém lhe tirará, o reino dos céus e Sua justiça, e as demais coisas que o Próprio Deus e Pai, a ti acrescentará…

Dá um glória…

Fica com Deus…

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O Condutor...

Tudo é antigo, dado o tempo desde quando existimos, e vai-se mui povoado este mundo onde povos aglutinam-se, populoso, sobrecarregado, independente do conto ligeiro e breve de todos que já partiram… o mundo perdeu o rumo já no princípio, tornando-se maldição ainda na primeira infância, estado alterado, inocência acabada, terra estéril, contaminada, veneno (ir)respirável, campos de morte que cobrirão-nos, a todos os gerados sob a insígnia da eternidade, que vieram destinados não a jazer sob mantos da terra, mas sim exercer domínios sobre ela… Ah! Quão frágil o homem, sem chance diante do inóspito, náufrago mesmo enquanto sobre o chão… Primeira medida do Excelso: o mundo sob intervenção. Plano de resgate que quebrará o julgo da morte e maldição: veio o Cônsul celeste, herdeiro do Trono, pavimentar a grande ponte que unirá os extremos, transporá o abismo, criará o caminho, que conduzirá os que emigram à segurança das moradas do Altíssimo. Que sorte! Sorte dos que chegarão! Dos que aglutinam-se em vagões apertados, seguindo sobre trilhos tortuosos, com destino a redenção! E vai, sinuoso, o grande comboio de vagões, parando nas plataformas de tempos e épocas e gerações. Não invade-se os vagões, somente os chamados entrarão, mas… não é escolha! Ao menos não nossa: deve-se ser escolhido! E todos que embarcam são chamado benditos! E muitos na verdade embarcariam, mas, não é-lhes dado saber, ao menos, que as portas abriram-se e a sorte chegou... Não viram, e não verão, não souberam, e não saberão, até que venha soar o último grito, quando não houver mais lugar para sacrifício ou redenção. Porém… os que atenderem o chamado e não abandonarem o comboio, abrindo mão do conforto, mesmo com choro, dores, espasmos, privações, provações, e chegarem ao destino passando no filtro da última triagem, aniquilados, trazendo como posse somente os restos de si, mas… se não foi abortado o ser fecundado no ventre da alma e vingar o embrião da criatura celeste, iluminada, esses alcançarão a eternidade quando morte e inferno não mais existir… Ei! De quantas coisas privam-se aqueles que entram por esses vagões! Não olhe pela janela, pois a visão mais horrível deprime e enfraquece o coração, enquanto a mais bela é mero engano, palco montado, tentando seduzir escolhidos a desembarcaram na próxima estação... Não olhe pra fora! Olhe pra dentro! E no meio das maiores dores e provas e lutas, o próprio Condutor senta, agora, ao teu lado, e pega tua mão. Respira. Suspira. Consola-te Nele. É fato: pelo simples motivo Dele estar do teu lado, VOCÊ VAI VENCER…

Dá um Glória…

Fica com Deus…

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Mostra-me algo...

Josué iria contra muros, sem ferramentas ou espadas, mas viu o anjo que trazia na mão uma espada desembainhada...
Moisés iria contra uma nação poderosa, mas ouviu a Voz no Fogo que ardia na sarça…
Paulo atravessaria o velho mundo, entre prisões, naufrágios e escárnio, mas viu o Clarão que trouxe-lhe nova visão, abrindo-lhe os olhos da alma...
Estêvão, apedrejado, teve os sentidos arrebatados, ao ver Deus assentado em Seu trono, enquanto as pedras feriam-lhe e o sangue jorrava...
Pedro antevia a morte no naufrágio, mas viu Cristo andando sobre as águas...
Isaías pregaria contra reinos e nações poderosas, enfrentaria a dura cerviz, mas viu o serafim tocar-lhe com a brasa...
Jó... Jó? Pobre Jó... Jó não viu nada... seus olhos fitavam o nada, assentado sobre cinzas, na mão o caco de telha, com o qual se coçava... não murmurava, na verdade, se lamentava, mas em momento nenhum blasfemava...
É Difícil, sem ver, mas, a fé é o firme fundamento das coisa que não se vê, mas espera..Eu quero ver! Eu quero ver! Sem ver não dá pra continuar! Ora, o próprio Filho de Deus desqualificou os que dependem de ver para acreditar, e foi severo com Tomé, Ver sinais está em Deus, enxergar a Cristo está em Deus, mas bem aventurado o que crê mesmo sem nada enxergar! A frase clássica veio de Jó, em que todo o sentido veio dar-nos, sobre acreditar, esperar, confiar, independente do que acontecer, pelo simples fato de O amar: Deus é minha esperança. Ainda que Ele me mate, Nele esperarei...

Ei! Espera Nele. Confia nele. Haverá uma conversa franca de Deus contigo, no redemoinho que está começando a se formar. Haja paz, haja paz. Ele virá...

Fica com Deus...

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Não é regra...

Nem todo pranto expressa-se com lágrimas... nem toda oração tem palavras... nem todo grito é audível... nem sempre há alegria num sorriso... nem tudo que aceitamos faz-nos sentido...nem todo avanço é coragem... nem todo armamento está na bagagem... nem tudo que explicamos sabemos... nem sempre (ou nunca) damos razão a nós mesmos... nem sempre temos a força que desejamos... nem sempre a dor é na medida que suportamos... nem sempre temos uma palavra de ânimo... nem sempre é por falta de palavras que calamos... nem sempre as setas e dardos não nos atingem... nem sempre olhamos o gigante e não sentimos vertigem...

Mas… é regra, sempre:

Deus tem um currículo respeitável... e tudo que ouvimos, ou lemos, e sabemos, a respeito Dele, ainda será pouco, quando vier, e der testemunho de Si mesmo, e conhecermos sua eficiência, ainda que, no fim, quando desprovidos de tudo, nada dispormos, sim, quando disseres, Esperei tudo mas não aconteceu nada... dá um glória! O nada é Seu território! O nada e o vazio inspiram-Lhe! É o momento propício para Ele dizer Haja! E criar coisas novas! Maravilhosas! Impossíveis!... Ele não precisa encontrar nada, só você. Ei você está aí, ainda??? E o que foi feito do teu trabalho, do teu esforço? Do teu investimento, do teus estudos? Das tuas horas mal dormidas, do tempo dedicado e despesas com combustível? Da tua sinceridade com Deus e com os homens? Do teu esforço e dedicação em amar e proteger os que fazem parte do teu convívio? Dos teus conselhos aos desavisados e simples, do teu socorro aos descobertos e famintos? Da sua busca incessante por Ele, nos cultos, nas orações, nas madrugadas à beira do teu leito? Nada? Em volta de ti, em pagas e resultados, nada??? DÁ UM GLÓRIA!! O nada inspira o Pai da tua alma! E com explosão ou sem explosão, Ele dirá uma única Palavra, e surgirão todos os caminhos e formas que você precisa para abraçar um milagre, e soltar o teu tão desejado e sonhado grito de Vitória…

Dá um glória...

Fica com Deus...

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Impossível....

Amigo, não diga-me ser fato que, esgotados seus recursos e forças, teus amigos nada podem fazer... Apesar que, dizes verdades: não há forças em nós. Nem condições. Não, nem para nós mesmos, porém… há um anjo que faz vencer, ainda que não percebemo-lo, está colocado ao teu lado, insiste em não ser notado, mas está aí… como escudo, em prontidão, de plantão, para dar-te um choque na alma se ela não mais respirar… E, sobre não mais aguentar, uma pergunta: quem aguenta? Quem? Ninguém!!! Dissestes verdades: ninguém! Nem antes, nem agora ou no começo. Ninguém!… Não dá para sobreviver um dia sequer… Deus dá-te razão nisto que dizeis, concorda contigo, é insuportável, impossível... E, olhando-te nessa situação, com tudo que sofres, Deus está sorrindo. Sabe porque? Destes a Ele o direito de virar-Se ao demônio e dizer, Ninguém sobrevive a isso, um único dia sequer, mas ele ainda está aqui… rasgado, arrastando-se, engasgando-se com a água, chamuscado, queimado, com feridas abertas, quebrado, ao pó, sobre cinzas, e ele próprio é cinzas, cinzas assentado sobre cinzas, com fraquezas medos e dúvidas, mas ele ainda está aqui… Glórias a Deus...Amigo, o impossível já não é patrimônio exclusivo de Deus, porque você fez o impossível: chegou até aqui… com méritos, sabia? Porque você sempre soube que, sozinho, jamais venceria, mas foi exatamente nessa condição, sozinho, que deixei-te… e, onde mesmo Comigo seria quase impossível, deixei-te para ver o que farias… Parabéns, parabenizo-te. Sabe porque? Você não é Deus, mas mesmo não sendo Eu, conseguiu o impossível: chegou até aqui… Aqui aonde? Bom… a lugar nenhum... a questão não é o lugar em sí, mas o fato de estar vivo. Ainda que semi-morto, mas vivo. A vida é algo absoluto, não existe meia vida, seja por um fio, ou ligado a aparelhos, a vida sempre será vida… Você está vivo. Este era o desafio: estar vivo… então, continua… Deus está rindo, e colocou um cabresto no demônio para, queira ou não queira, continuar assistindo a cena de um ser humano executando o impossível… Você não é Deus, e fez o impossível, imagina Eu? Tenho todo o arsenal de milagres, maravilhas e prodígios, para fazer na tua vida! E se esse seu dom recém-inaugurado, de fazer milagres, trouxe-te tão longe, imagine quando Eu, Deus, levantar-me e dizer Basta, é chegada Minha hora … se teu esforço fez-te avançar léguas, subir degraus, Meu esforço fará-te atravessar os ares e alcançar os céus… E não faltará agora, para o anjo, asas, tranquiliza-te pois trouxe um par de sobra, presente de Deus, para entregar-te. Encaixe-as, vista-as, receba-as: um par de asas novas, para voar, e estar acima de todas angústias e medos... E vença, agora, tua guerra presente, a do momento, que está sendo travada dentro de ti, no nome de Jesus Cristo...

Dá um Glória...

Fica com Deus…

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Fome...

Tristeza e pranto, em Serepta... Seca prolongada, tempo de estiagem, uma viúva e seu filho, os dias passando, reservatório secando, mantimentos acabando, e com eles a esperança... Céu límpido, sem nuvens, nenhuma, e um sol coroado, carrasco sem trégua, compondo a cena árida e trágica, Ah! Nuvens que não vem! Socorro que não chega! É preciso que venha, ao menos uma nuvem pequena, que traga, senão a vida definitiva e digna, mas ao menos a que irrigue e prolongue a sofrida existência... mais um dia, e outro, e mais outro... provimentos consumidos, sem reposição... mãe sempre levanta questões, Será melhor não comer, alimentar somente o filho, garantindo-lhe o dobro de previsões? Não, não basta um filho vivo, sem mãe... que viva também a mãe, o mesmo exato tempo que o filho... para consolá-lo quando a sede for não de água, mas de afago materno... mães são necessárias, transmitem esperança, mesmo quando não encontram-na sequer para si mesmas... está decidido, então, comamos juntos, todo alimento, e morramos juntos, quando acabarem os provimentos... tudo resolver-se-ia, se viesse a chuva, mas não veio... e reduziu-se a dispensa, chegou o momento, em que todo provimento, do que foi economizado, permite preparar, apenas, o último bocado... ora, a última refeição jamais será um manjar, visto que são sobras... após prepará-la, há de comer-se lentamente, fixar a mente no paladar, pois o sabor de alimentar-se ficará somente na consciência, enquanto houver consciência em corpos que a fome vai ceifar…

A mulher olhou para o filho, irá preparar o último alimento, mas... percebe, ao longe, um homem aproximando-se, com o passo dos que peregrinam, caminhando à lugar nenhum, tendo o semblante dos sobreviventes e famintos... nunca viu-o, não sabe a que veio, mas, em tempos de crise e miséria, talvez veio roubar-nos. Pobre homem se veio a isso chegou tarde, não há nada à levar, e, caso queira matar-nos, será bem vindo: talvez seja melhor morrer assassinado que de fome, pois, sendo a morte iminente um fato, ao menos morre-se mais rápido... O homem aproximou-se, parando próximo a mulher, pedindo-lhe algo para comer, a mulher respondeu, Não tenho nada, a não ser um pouco de farinha na panela e azeite na botija, é tudo que sobrou, prepararei um bolo para mim e meu filho, para que comamos e morramos... o homem fitou-a, com novo rosto, recomposto, e com voz e Palavra que é sorte dos que confiam e esperam Nele, ou até dos que perderam as esperanças, mas Ele elege-os para serem os portadores dos milagres... E aquele estranho, mero porta-voz das visões de Deus que estavam sobre ele, anunciou, Vai, mulher, e faz como dissestes, porém, faz primeiro um bolo para mim, e depois para vós, porque assim diz o Senhor, o azeite da botija não vai secar, e a farinha da panela não vai acabar... e ela assim o fez. E cumpriu-se. Porque Palavra de Deus cumpre-se de fato, por ter força de decreto.

Fica firme, não emigre, não busque outra sorte, pois, ainda que a terra não queira produzir sua bênção, se ela é sua por decreto, ela surgirá... Mesmo que sob a insígnia do impossível, como são as providências dignas de serem chamadas de milagre... entendeu? Hum... esgotaram-se as possibilidades? Bom... que venha o impossível, então. Prepara-te para a grande virada. Deus tudo pode, mas nós não. E, sem Ele, nada podemos fazer, isso é verdade, mas..TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE!!! Então seja fortalecido por Ele, no nome do Senhor Jesus...

Dá um glória...

Fica com Deus…
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Fiéis...

Pode-se, porventura, enumerar-se, dentre os santos e mártires, os que foram mais fiéis a Deus? Como medir, quais variáveis pesar, até definir-se entre todos, os que foram mais fiéis e leais?

Em Noé foi encontrado justiça, não por ser o mais justo entre outros justos, mas por ser o único que praticava justiça... pesava-lhe isso, ao seu favor, ainda que não fosse perfeito. E o trabalho da arca não foi um simples exercício de fé, porque nada foi-lhe encoberto: Deus deu-lhe o projeto da arca, avisou-lhe sobre tudo que faria, as águas que viriam, as espécies que preservaria, enfim, não deu-lhe escolha, Deus ordenou-lhe, e ele teve que fazer. Era uma ordenança…

Daniel era íntegro e consagrado, e o anjo que trouxe-lhe respostas chamou-lhe de homem mui desejado por Deus, mas, na vida de Daniel, excetuando-se o cativeiro no início e o transtorno da cova dos Leões, foi um homem que mesmo em dificuldades nunca deixou de prosperar, pois Deus sempre o exaltou, cada vez mais…

Abraão, cito-o, considero-o mais fiel que muitos, inclusive que os dois citados acima, no sentido que acreditou e seguiu um Deus desconhecido, ou, se alguns poucos, como Melquisedeque, o conheciam, Deus ainda não havia feito de Si um nome na terra… E, em verdade, todos que creram e obedeceram depois de Abraão, são considerados descendência dele, o pai dos que creem, porque creu e seguiu primeiro, sendo fiel ao ponto de aceitar matar, se necessário, seu próprio filho... Os que vieram depois já sabiam que valia a pena esperar e confiar no Deus de Abraão, por saberem o que Deus fez por aqueles que confiaram e creram Nele, mas Abraão confiou e creu sem referência nenhuma…

Mas…

agora digo, em termos de lealdade, não a nada que se compare a Jó. Não era profeta, era um homem comum, mas extremamente fiel, ao ponto que o Próprio Deus exibiu-o ao demônio como um troféu, orgulhando-se de tê-lo como primícia, exibindo-o como um proprietário orgulhoso que exibe suas peças de Prata, já com intenções de incitar o demônio contra ele. Deus sabia que, mesmo nada entendendo, aquele era o homem que na riqueza, na pobreza, na saúde, na enfermidade, na tristeza, na alegria, não negaria a Deus por nada... bom, nesse ponto, acredito, mais fiel que Jó, só o próprio Filho de Deus…

E por falar em riqueza, pobreza, alegria, tristeza, quem medirá a fidelidade de Paulo, o prisioneiro de Cristo, que manteve-se casto, que alternava prisões, viagens em porões de navios, a pé, em costa de animais, incansável, levando o evangelho a outras nações, o corpo distante mas por cartas instruindo as igrejas, vendo coisas inefáveis acima deste céu, fiel e dedicado em tempo integral, desde a conversão até a morte?...

Difícil demais, classificar, selecionar entre tantos, quem foi, ou quais foram, os mais fiéis, mas... Será que isso importa? Não. Graças a Deus não. A Cristo é o que menos importa. Ele não está preocupado com os primeiros, mas com os últimos. Ele nem vai comemorar muito, no dia da Sua volta, quando o primeiro entrar, pois sua atenção estará voltada não ao início, mas ao final da fila, ansioso por ver o último que vai chegar... E antes ainda da Sua volta, Ele, agora, está acordado, triste, olhando pela janela, esperando os pródigos que terão a coragem de voltar… e,conformem-se todos os fiéis e leais, que nunca saíram do aprisco e nem defronte do altar, porque toda a ovelha desgarrada que ele reencontrar, e tiver a felicidade de poder novamente abraçar, vai amar muito, muito mais que a nós, e não vai conseguir e nem querer e nem preucupar-se em disfarçar...

Dá um glória…

Fica com Deus…

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Último desejo...

Era uma figura estática, imóvel, a fitar o vazio... desfigurado, irreconhecível, era o oposto de tudo que havia sido... foi destituído de honra, de coroa, de glória… no estado anterior inspirava respeito e temor, mas agora desprezo, risadas, escárnio… quão inalcançável tornaram-se os pináculos, as alturas em que antes fora colocado... mas agora, quantas dúvidas, perguntas não elucidadas, restaram-lhe, a ele que (triste ironia) possuíra, um dia, todas as respostas.. e agora, coçando-se com cacos, assentado sobre cinzas, sem conseguir entender ou assimilar tantos males repentinos… perplexo, não encontra razão, e vivendo o irreal, questiona-se, Será que é um sonho ruim? Deve ser… tem que ser… eu quero acordar! Quero conseguir acordar… e o homem sem honra, sem família, sem bens, sem saúde, sem Fazenda, sem amigos, não conseguia acordar, porque deveras, o pior pesadelo é o que vive-se desperto e lúcido… e, compreendendo ser tudo real, dado o tempo passado e a dor tão presente, surgiu no coração um desejo… um desejo? O que poderia desejar o homem que faltava-lhe algo não específico, mas tudo? Havia um desejo, formulado, escondido no coração e na alma, e o único que poderia cumpri-lo seria Aquele que tem todas as respostas, mas permanecia em silêncio absoluto… Não havia um diálogo entre Deus e o homem, uma conversa franca, direta… E num momento que via-se tão solitário, pois até os que assentavam-se a sua volta eram distantes, suspirou, não à Deus, pois não cria haver Nele interesse em ouvi-lo, então lançou palavras, como lançasse-as ao vento, Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus me desse o que espero...

Surge a questão: qual era, nessa hora, o desejo de Jó? Que bem espera o homem que já vem desprovido de esperança? Arrisco: quando nada mais espera-se, quando já não há esperança, a única coisa que espera-se, por ser a única certeza do que ainda virá, é a morte, ainda que desejasse-a rápido porém vinha a passos lentos… Jó desejou a morte? Deu disso claro sinal, pois mais que desejar a morte, amaldiçoou seu próprio nascimento, e ao divagar sobre um desejo, sem nomeá-lo, logo em seguida fala abertamente sobre o fim desejado: "...e que Deus quisesse quebrantar-me...", “e soltasse a sua mão, e me acabasse!...”

mas...

Hora bendita, em que vem o brado como resposta, em que Deus não economiza palavras, e manifesta-se em verdades rasgadas...Quando vem em ventos e assenta-se em redemoinhos, e acomodado trás todas as respostas...E naquilo que fala ou nem julga necessário falar, ELE CUMPRE O DESEJO DO CORAÇÃO dos seus filhos Tão além daquilo que o homem poderia sonhar e esperar...E o passado de glória era tão distante, inatingível, que o coração do homem contentaria-se se fosse-lhe restaurado o mínimo… Mas Deus ousou fazer tudo novo, e maior, e melhor, que o estado anterior… Ah, quem dera Deus cumprisse o desejo! E Deus cumpriu... além do desejado, crido, esperado, sonhado, imaginado… Entendeu? NÃO VOLTA PARA TRÁS! Não tira tua mão do arado! Não blasfema da sorte ou de Deus… porque o que sobrar de ti, teus restos assentados sobre cinzas, verão cumprir-se isso a respeito de ti: DEUS IRÁ CUMPRIR O DESEJO DO SEU CORAÇÃO…
Dá um glória…

Fica com Deus

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Cartas...

Quão grande avanço, ao homem, utilizar-se da escrita, letras grafadas, sobre papiros, papéis, madeira, tecidos…ainda que a letra mata se não vivificada… ora, mas o próprio Deus, que é pai de todos os espíritos, vivificou letras benditas, talhando-as com fogo sobre tábuas de pedras polidas… Deus é escritor! E noutro tempo lavrou à um rei profano, condenações, em que o próprio réu assistiu o dedo de Deus redigir a sentença sobre paredes e estuques… Deus, o Escritor, possui livros, e a direita do trono havia um que somente seria aberto se Cristo na terra não fosse vencido. E Cristo Venceu! Dá um glória!… Deus redige novas páginas, em todo momento, no livro das crônicas… são registros de histórias, muitas de choro, lágrimas, todas a respeito de seu filhos… e de tempo em tempo, inverte os papéis, de escritor para leitor, quando folheia-o página por página, buscando razões para tirar da cova ou da forca seus santos remidos… Em muitos casos uma única página terá muita valia, como nas mãos de Neemias, era apenas uma carta, porém com decreto lavrado de restauração, prenúncio de que viriam melhores dias … e o que diria o próprio Cristo ressuscitado, que no céu, após recebido, abriu o livro sete vezes selado, sim, pois venceu este mundo, porém, Ele próprio também foi escritor, ainda que não escreveu mas ao menos ditou, a João, as sete cartas a serem enviadas aos anjos das sete igrejas da Ásia... Ora, João enviou as cartas, mas antes ainda que houvessem igrejas na Ásia, Paulo fundou-as por Cristo, e de longe enviava cartas, o apóstolo dos apóstolos planava sobre as asas do Espírito e compunha suas epístolas... Paulo e João escreveram, em ocasiões diferentes, Paulo bem mais que João, mas, todavia... se João não escreveu tantos livros e epístolas, ao menos escreveu entre os poucos o sagrado livro das profecias, que sela o final das sagradas escrituras... é o profeta da mãe de todas as revelações! A revelação maior por excelência! Na consagração do profeta, arrebatado em espírito, veio não um serafim com brasa em tenaz, mas um anjo potentoso, com uma perna sobre a terra e outra no mar, trazendo na mão um livrinho escrito por dentro e por fora, oferecendo-o dizendo: Come-o, João! O sabor foi suave e doce ao paladar, mas a boca fez-se amarga ao atingir-lhe o ventre, tão doloroso tal qual engolir uma brasa! Livros, cartas, escritos... Deus tem em memória o passado longínquo, sua memória são páginas de livros aos quais tem acesso irrestrito! E folheou, agora, um pesado livro, e em página específica, lendo decidiu que, independente do que o inferno fez contra ti, algo ainda pesa ao teu favor, e decidiu tua sorte e destino: na capa desse livro está escrito LIVRO DA VIDA, e o teu nome ainda está aqui…

Fica com Deus...

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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

A Nau...

Vai-se a nau, deslizando, sobre a face das águas... sair, impossível, ainda: não há um único palmo sólido, que sustente nosso peso, garantindo a vida... sorte nossa que, não nossa mão, mas, a do Autor do projeto, betumou a nau, selando-a por fora, e a fúria das águas que encobriram montanhas e devastaram continentes, não foram suficientes para violarem a arca... Deus é conosco, mas, confessamos nosso medo, quando vagalhões gigantescos elevaram-nos, fazendo-nos subir, para depois lançarem-nos na fenda das águas profundas, e, ainda que sepultados, sete palmos de cova fluída, a tona voltava-mos, perpetuando o grande milagre de permanecermos vivos... houve barulho, ventanias, gritos, raios e trovões. E terror... A voz das águas inquietas, possui, por si, o dom de despertar todos os medos e pesadelos. E o vento... o vento criava paredes espessas com pequenas gotículas, que bailavam no céu antes de cair, aumentando o nível, entornando o caldo, já transbordado, dos mares e da ira do Todo Poderoso... Sentimos o hálito da morte!  Mas, ainda estamos aqui... ah, sorte, que Ele alertou-nos para estocarmos provimentos, visto que em dilúvios não colhe-se ou planta-se ou compra-se, mas, isolados no deserto de águas, vive-se daquilo que foi estocado dentro de nós mesmos... Que belo esse céu! Muito mais belo que o céu anterior, em que dias pareciam noites... temos ao menos, agora, um sol amarelo, que abre caminho entre nuvens que, timidamente descortinam-se, tornando plena a visão da abóbada celeste... É uma alegria poder, finalmente, abrir, a janela, ainda que, tão deprimente, avistar somente águas, mas... vai, pomba da minha confiança, busca repouso a teus pés na Oliveira Verdadeira, e traz-nos, como esperança, em teu bico, a folha de oliveira, e o anúncio de que as águas estão baixando...

Fica com Deus...


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sexta-feira, 21 de junho de 2019

Ansiedade...


A ansiedade é algo que, quando incontrolável, é paralisante, conspira contra nós, mas... Como fugir dela? Seu excesso é nocivo, porém, numa medida contida, é algo que nos impulsiona. Tem a ver com sonho, com nossa necessidade de trafegar no tempo e alcançar os marcos de recompensa, alegria e desejo, ou simplesmente transpor e deixar para trás os marcos de dor, tristeza e sofrimento...

Ansiedade... de que as horas, minutos e segundos passem rapidamente, até chegar o momento decisivo, o objeto da espera... E, será de grande alívio, se o segredo selado para o futuro corresponder a nossa expectativa, porém, ainda que haja frustração, libertar-se da ansiedade por sí já é um alívio. A ansiedade está ligada ao tempo, só existe enquanto houver tempo, e evapora no exato momento em que o tempo se alinha com o ponteiro da nossa expectação... Extinguindo-se a ansiedade, abrir-se-āo caminhos para novas ansiedades, que virão... pois tudo que espera-se e ainda não veio, tudo que está encoberto e selado para um tempo vindouro, de segundos a milênios, encarregar-se-á de fundar e alimentar as futuras ansiedades...

Ansiedade… a ansiedade de Daniel envolveu segundos e minutos que perduraram como anos, na noite interminável, onde o ronco audível não era de crianças, ou filhos, mas de leões... E, no terror da escuridão entre predadores, havia o desejo que houvesse ao menos uma luz denunciando de que lado a morte viria, mas, a única luz que havia eram os pares de pequenas lanternas, o brilho fosforescente da retina, olhos de leões, brilhando na escuridão... Não sei se os leões dormiram, não arrisco-me em dizer, mas, Daniel, tenho certeza, passou a noite acordado, sem mexer-se, respiração quase imperceptível, corpo travado, com dores, aterrorizado, Deus não livrou-o da condenação! Não apareceu nenhum anjo no último segundo do último minuto que livrasse-o de ser lançado na cova dos leões E, agora estava ali, torturado, por cada segundo que, tão intensos, pareciam durar uma eternidade, enquanto a ansiedade destruía-o lentamente, mas...

Ansiedade do quê? De esperar o quê????

Ele não sabia o que esperar! Deus não falou-lhe o que faria! Ele não fez acordo com Deus! Não sabia como terminaria tudo aquilo! Ele apenas não desistiu de orar, independente das consequências que viriam, aceitando morrer de bom grado caso não surgisse um caminho, e agora estava ali, sem ter a menor ideia de qual seriam os próximos acontecimentos… e, num momento, temia a morte, mas, noutro desejava-a, querendo que os leões acabassem logo com aquilo, dado o sofrimento causado pela mistura de silêncio, escuridão, terror, ansiedade e medo...

Foi um herói. Herói, esse é o termo. Herói da fé... Passou-se a noite prolongada, que demorou-lhe como um ano, e viu finalmente o local invadido por raios de luz… que delícia quando a luz chega! Como desejam-na os que vão imersos na escuridão! Amanheceu, revolveram a pedra, e uma voz triste, chorosa, sem esperanças, chamou-lhe, Daniel! Daniel... será que esse Deus, a quem continuamente serves, tem livrado-te da boca dos leões…? Bom, não sei se Daniel viu, na noite interminável, um anjo, mas, vendo-o ou não, pôde dizer com convicção, por saber que milagres são feitos por anjos, serviçais do Todo Poderoso, Oh rei! Vive o Senhor e vive a sua alma, que Deus enviou o Seu anjo e fechou a boca dos leões..

Ansiedade...meu Deus... paro por aqui.. esse texto estendeu-se demais, não dá mais para escrever... Não vou conseguir parar se continuar… nem vou arriscar-me começar a explanar sobre a ansiedade de José, que não esperou uma noite mas anos, e num momento de grande angústia, em vez de clamar a Deus, já sentindo-se semi-abandonado e esquecido, clamou ao seu simples companheiro de calabouço, Quando estiver diante do Rei, lembra-te de mim...

E nem tampouco explanarei sobre o próprio Filho de Deus, que em grande angústia acordou seus discípulos e dizia, Acorda! Não dorme! Vela comigo! Vem orar comigo! Estou em grande angústia, temeroso por um tempo que é chegado, de grande dor e sofrimento, e não sinto-me preparado para passar por ele! Não encontro as forças em mim, que façam-me resistir o porvir! Que concedam-me condições de beber o cálice até o fim! Vela comigo, por favor! Ora comigo! Ora por mim!

Ansiedade, expectação... desejo de livrar-se dos presentes e vindouros acontecimentos, desejo de alcançar de Deus o tempo, mas temeroso por saber que não basta alcançar-se o tempo mas também chegar com condições. E forças... para não dobrar-se diante do mal e do medo, ainda que hajam grande dor e humilhações...

Mas… Daniel venceu: o anjo veio, e fechou a boca dos leões… José venceu: o anjo trouxe-lhe divinas interpretações e revelações, que alçaram-no do calabouço ao posto de governador e segundo homem no reino após o rei… e, Cristo venceu,pois à véspera do grande sofrimento, os anjos vieram e serviram-lhe, cedendo-lhe toda força necessária, enviada por Deus, para beber seu cálice amargo até o fim. E vencer...

E, um detalhe: esse Cristo que bebeu todo Seu cálice, após grande expectação, alcançou o direito de voltar aos céus, já coroado, e assentou-se à destra de Deus. E, entre Suas inumeráveis funções, lá no céu, há uma que ama, tanto quanto ou mais que as demais: organizar a fileira dos anjos que Ele mesmo envia à terra, em socorro aos santos, para fechar a boca dos leões, arrancar os inocentes dos calabouços e prisões, e para revestir de força e poder todos que bebem cálices amargos, de dores e aflições...

Ei, estás vivendo tempos de guerras e grandes provações? Não sabe por qual caminho Deus virá? Fica-te em paz! Já saiu do céu um anjo designado, endereçado a ti! Está chegando do céu o reforço! Não estás sozinho na Guerra! Sejam renovadas tuas forças, então, no nome de Jesus Cristo, e coberto de paz, aquela paz, que é inerente a todos aqueles que já entram na guerra portando um destino: vencer. Você vai vencer …

dá um Glória...

Fica com Deus...

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quinta-feira, 13 de junho de 2019

Sede...

Estás com sede? Muita? Precisando de um copo d'água? Senta-te aqui, então, ao meu lado… Água, água mesmo, não tenho para dar-te, mas, se eu fosse o profeta Elias, diria-te: Estou bebendo da água de um ribeiro, questionando a Deus sobre a secura na terra, mas, ainda que a água é minguada, tenho-a ao menos para manter-me vivo... Sinto-me solitário, é verdade, mas simpatizo com uma ave que vem, toda a tarde, e traz-me no bico um pedaço de pão e um naco de carne... Um ribeiro é pouco, reconheço, mas é o suficiente pra manter-nos vivos até que venha, no céu, uma pequena nuvem, no formato de uma mão, prenúncio de que dias melhores estão chegando...

Se eu fosse Elias, ainda, sobre tua sede, em outro tempo, diria-te: Senta-te comigo, cabem dois a sombra desse zimbro, eu reparto a refeição contigo. Eu estava a pouco, deitado, nenhuma esperança havia, apareceu um anjo mais brilhante que esse sol que nos ilumina, trouxe-me pão na brasa e água na botija, confidenciando-me que é refeição preparada aos que atravessam grandes desertos, e sobreviver é (em tese) impossível. Já dividimos a sombra, amigo, agora achega-te e reparto a refeição contigo…

Se eu fosse Davi, diria-te, Estás com sede, amigo? Olha, chorei pelo estado passado, por dias que foram-se, tempos de glória... tão diferente dessa caverna, onde reúnem-se um exército de esfarrapados, mas, lamentei em voz alta, dizendo, Ai que saudade das águas da cisterna, nas portas de Jerusalém... meus valentes ouviram, saíram em segredo, romperam o cerco inimigo, arriscaram suas vidas, trouxeram-me um cântaro cheio d'água límpida, mas... não beberei, ofertarei essa água ao criador, porque meus valentes arriscaram suas vidas, mas antes que a derrame, vem e sacia-te. Os valentes foram e voltaram como anjos. Beba essa água como a água que o anjo trouxe das fontes eternas e ofertou-te, pra saciar tua sede de água, de consolação e de vida…

Ah, sede, sede... há muitos a quem pedir água, mas há alguém, a pessoa certa, a quem pedir. Ele deu uma aula a mulher samaritana, instruiu-lhe, que todos que lhe pedem-lhe água, dá-lhes uma água que nunca mais terão sede. Aí, sim: nem preciso será que hajam fontes, pois todo aquele que bebe desta água, do seu ventre jorrarão rios de água viva... Ei! Você tem sorte: já bebeu dessa água! Essa fonte já nasceu dentro de ti! E são incontáveis os que já beberam e foram salvos por ela! Fonte, esse é teu nome, Fonte! Mata tua própria sede, hidrata-te com frescor, saindo deste poço de angústia e tristeza da tua alma. De sede você não morre. Sabe porquê? Porque as fontes de águas vivas não poderiam estar mais próximas: elas estão dentro de você...

Dá um Glória...

Fica com Deus…

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terça-feira, 4 de junho de 2019

Um Anjo...


Onde está o anjo? Vislumbro horizontes num giro panorâmico, horizontes distantes, onde, excetuando-se a visão interrompida por montes, montanhas, vejo imagens desfocadas, não nítidas, que perdem-se de vista, sem essência, disformes, não podem ser discernidas… longes, distantes demais, fora dos limites daquilo que conseguimos compreender... Há dias que, a distância de tempos e daquilo que esperamos, aflige-nos... mas, há dias que gememos, não pelo distante, mas por aquilo que precisamos, com proximidade, no exato momento o qual vivemos... Eu quero um anjo... um anjo que imponha-se defronte do distante, que corte abruptamente da visão o alcance, que force um novo foco, aos olhos, tirando-os do vazio e infinito, e, fitando-o, tão próximo, que, querendo, possa tocar-nos com sua mão. Ou com a asa... Eu quero um anjo. Um anjo... Um anjo veio a Daniel, não é esse que busco, pois veio-lhe somente porque houve busca insistente por uma resposta, numa oração de muitos dias... um anjo veio a Jacó, não é esse que busco, pois não abençoa gratuitamente, abençoa somente quem tiver disposição e força para contender com ele por toda uma madrugada... quero um anjo, na verdade, nos moldes e padrões do que apresentou-se a Elias... não foi buscado, nem pedido... não encontrou alguém de pé, disposto para uma luta... Simplesmente veio, num momento em que não havia voz, coragem, ou força. Veio quando esgotou-se o sabor, e vontade de viver... e trouxe o essencial, vital, a necessidade principal a todos os viventes: coragem e força para manter-se vivo… Ora, numa simples passada, as forças foram, de certa forma, tão renovadas, que, sobre-humano, fizeram o homem que jazia prostrado, levantar-se tão renovado, que caminhou quarenta dias e quarenta noites, só com a força daquele alimento. Eu quero um anjo... Um anjo sem juízos antecipados, diferente de Eli, para que não prejulgue meu silêncio como leviandade, mas que leia nas turbulências da alma as grandes amarguras do espírito... um anjo como o cirineu constrangido a auxiliar a Cristo, que, se não passou dele o cálice, ao menos emprestou-lhe, literalmente, um ombro amigo... Um anjo como o bom samaritano, que, ainda que não fosse do mesmo povo, e nem tão pouco um sacerdote ou levita, teve a misericórdia de não deixar a morte um ferido a beira do caminho.. Eu quero um anjo... Deus, amado, nosso querer não é poder, é tão diferente do Teu, que move todos os fundamentos que Tu mesmo criastes, Senhor... A mim, querer e pedir, pode erroneamente parecer impor e exigir... mudo o tom, então, e digo, não é por querer, mas por necessidade extrema: manda-me, Deus meu, e amigo, um anjo, na minha vida e na de todos que lêem comigo, e sentem que, naquilo que passam agora, é exatamente isso que, nessa hora, precisam: um anjo…

Amém…

Fica com Deus…

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sábado, 13 de julho de 2013

Paralelos



Tem-se cultuado,
desde sempre,
o estado de loucura.
Não a loucura déspota,
assassina, vegetativa,
mas a criativa,
que traça paralelos
com mundos
paralelos
pelos quais transita-se
voluntariamente (ou não),
(talvez) por falta de
alternativas,
mas... triste descoberta:
neste estado (enfermidade),
a criatividade, na verdade,
é atividade surreal,
sombras, luzes, sons, silêncios,
que vazam, misturam-se
sem controle ou qualidade,
por falhas físicas
ou químicas,
desencadeadas não pela perfeição
mas por falta dela,
e atingem o ápice,
geram desconforto,
e, por mais que seja genial
o impulso da arte,
não é prazeroso
criar, gerar, escrever...
É dolorido...
Nesse momento
vive-se como morto
ou morre-se como vivo,
e, vivendo-se, prolonga-se tanto
a sensação de estar morto
que, parece que, viver, por si,
é uma forma de praticar-se suicídio.
Aqui, a criatividade
não possui a beleza
de uma loucura pré-fabricada
numa viagem psicodélica,
induzida por drogas
naturais ou sintéticas,
possui, mesmo, é a sensação
de desespero, de transitar
a esmo entre
animais de peçonha,
em gargantas gélidas, úmidas
nas fendas profundas, abissais,
onde a escuridão
tem peso e forma,
mas... basta...
não há como expressar-se,
através de palavras,
por isso, busco comunicar-me
com a razão
dos que buscam a razão
através dos sentidos:
a loucura tem o aroma
fétido de esgotos,
de matéria orgânica
morta, decomposta,
imersa em águas
paradas, enfermas,
e, ao paladar,
tem o sabor rançoso,
amargo, intragável,
de águas pútridas
de rios poluídos...

...
..
.
.

.

Vai indo, depois eu te alcanço...


O frio do tempo
presente
congela, acorrenta,
os ponteiros do
relógio
na parede.
Relógios com ponteiros
são retrógrados,
antiquados,
admito.
Porque, então,
não consigo trocá-los
por relógios modernos,
digitais,
do tipo com leds,
hologramas,
cronômetros,
barômetros,
compressores e/ou  
dilatadores
de tempo,
com funções avançadas
de (tele)transporte
para outros mundos,
portais...
mas... não...
não dito as regras...
sou sujeito
passivo,
mero expectador,
personagem do sonho
no sono
semi-acordado,
equilibrando-me
na tênue linha
que separa
o acordar e dormir.
Aqui, o cenógrafo
e diretor
da fita
é o estado (atual):
alegre, fartar-me-ia de cores,
mas, triste e/ou confuso,
vagarei por vielas
gélidas, sombrias...
Não consigo mudar a roteiro!
Como gostaria
de alterar
esta sensação
de tempo parado!
Queria outro cenário!
Outra paisagem!
Mas vejo-me, agora,
num quarto frio, gelado,
com azulejos sujos,
gastos, quebrados,
uma janela opaca
voltada para
o horizonte
desfocado,
o ar é pesado, ocre,
difícil de inalar,
cheiro forte,
de amoníaco, de urina,
de remédios,
de enfermaria,
e eu, não vejo-me,
não sei se
estou sentado, deitado,
ou colado
no chão,
a olhar
o relógio, coitado,
inflando seus pulmões
como se pudesse respirar,
arfando, ofegante,
veias saltando,
quase enfartando,
tentando girar
seus ponteiros,
tentando fazer
o tempo avançar,
mas...
não adianta!
O tempo parou! Congelou!
vou neste compasso
de tempo parado,
e, reconheço, que,
não posso prender-te, leitor,
concedo-te alforria,
liberto-te!
Pode ir,
deixe-me só, aqui,
não importe-se comigo
(isso vai longe...),
vá na frente, e,
quando libertar-me,
correrei um pouquinho,
sigo-te e alcanço-te,
e estaremos alinhados,
quando,
finalmente,
estiver inserido
no mesmo tempo
presente,
de qualquer
pessoa,
que vive
sem mesclar sonhos
com elementos
da realidade,
com meias-verdades
e verdades
absolutas,
verdades
completas
(e vice-e-vice-e-vice-e-versa).

Até mais...