sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Com a palavra, o rato de laboratório! (parte 2)



- "A organização deste que era para ser um grande evento não se omite das responsabilidades e lamentamos ainda que o incidente comprometeu toda a estrutura do palco, som, iluminação, motivo pelo qual encerramos oficialmente o evento, pois não existem mais condições ou estrutura para serem realizadas aquelas que seriam as próximas palestras... e... atenção, atenção, um minutinho... esperem... esperem... por favor... pessoal, silêncio! Só um minuto...!!!, Um minuto, por favor...!!! Estou gritando porque o alcance deste megafone é curto, preciso que vocês me ajudem, fazendo silêncio! Por favor... silênciooooooo!!!!!... (...) ... Isso, isso... agora, sentem-se, se conseguirem, nas poucas cadeiras que sobraram e escutem: a comissão que selecionou e contratou os palestrantes é terceirizada, não fomos nós que convidamos ou contratamos o rato de laboratório para fazer esta palestra. Aliás, palestra é o que todos nós viemos assistir, mas o que vimos foi uma loucura, um pandemônio, uma anarquia, um terrorismo cultural, uma afronta contra a razão e a inteligência, este dia deve ser apagado da memória. Estou me dirigindo a vocês em nome da empresa organizadora e promotora de eventos relacionados as áreas de psiquiatria, psicologia, psicanálise, neurologia, enfim, de todas as ciências voltadas à compreensão e ao bom funcionamento deste órgão tão importantíssimo para nós, seres humanos, estou falando do gerente do corpo, que tanto nos fascina, o cérebro. Mas, mesmo com todo fascínio, fizemos uma reunião de emergência atrás deste palco destruído, e decidimos não promover mais eventos, não temos coragem para continuar. Decidimos que, depois de arcarmos com os prejuízos psicológicos e também com os enormes prejuízos materiais, aqui tão visíveis, caso sobre-nos algum dinheiro, entraremos no ramo de fast-food, adquirindo alguma franquiazinha que esteja despontando no mercado, e terminaremos os nossos dias vendendo hambúrgueres e cachorro-quentes. Tivemos acesso ao local onde o rato está preso e algemado e já descobriram que ele chegou até aqui utilizando assinaturas e documentos falsos. Há todo um cordão de segurança para evitar o acesso de curiosos, mas conseguimos as credenciais para estar lá junto com os agentes federais e a imprensa, e vi um rato cercado de gravadores e microfones, sob a luz de muitos flashes e refletores, ser questionado sobre seus motivos reais, a razão para ter feito tudo isso, e ele respondeu friamente que não representa nenhum grupo ou organização, que não tem nenhuma reivindicação a fazer, que não fez nada por motivos políticos ou religiosos, o que realmente motivou-o foi o desejo de experimentar uma teoria social, uma tese defendida por ele, e criou algumas situações para analisar as reações da platéia sob as mesmas, não preocupando-se em nenhum momento com aspectos éticos ou morais, mesmo sabendo que deixaria no seu rastro um grande estrago psicológico e material, beirando o caos.

Bom... o que vou dizer é humilhante demais, para nós, profissionais de pesquisa médica-científica, porque nesta noite os papéis foram invertidos: o rato foi o pesquisador, e nós, humanos, fomos as cobaias de uma experiência feita por um rato de laboratório...

Vamos ressarcir o dinheiro de todo o público pagante, tanto dos ingressos, como hospedagem, transporte e translado, mesmo dos que vieram de outros países. Mais uma vez, lamentamos muito por tudo, ficam aqui nossos sinceros pedidos de desculpas e... se isso for possível... que todos tenham uma boa noite... obrigado..."


Não há nada que possa ser feito...

Não há nada
que possa ser feito
Se há, não sei como
Não há nada a dizer
se há, não consigo expressar
Não há nada a buscar
se há, não sei a quem pedir
Não há luz e nem caminho
se há (e sei que há)
não vejo porque estou
na escuridão de mim mesmo
Mas lanço meu grito silencioso
E aonde estiver Deus
ou alguém que encontre meu escrito
que abra e leia: socorro...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Com a palavra, o rato de laboratório! (parte 1)

Sim, o rato vai falar! E, por que não, qual o problema? É lógico que o rato pode manifestar-se! Concordo, ele não seguiu carreira acadêmica nas áreas de psiquiatria, psicanálise, psicologia, medicina, e não podemos desprezar jamais o conhecimento de um médico. Concordo que o rato envolvido em um estudo ou experiência é apenas um rato, ele não tem a autoridade de um médico, MAS ELE TEM A AUTORIDADE DE SER O RATO UTILIZADO NA EXPERIÊNCIA! Ele e somente ele é o indivíduo objeto do estudo, correto? Bom, prossigamos: todo o conhecimento médico e científico que é obtido através de experiências com cobaias em laboratórios são frutos de muita paciência, persistência, observações, anotações, uma boa dose de intuição e o óbito de muitos ratos (puxa vida, doeu falar isso...) e, um estudo deste tipo pode demorar anos e anos e nem sempre chegar a um resultado satisfatório.

Agora, digo algo intrigante, pondere isto:


- O conhecimento dos profissionais da área médica-psiquiátrica é obtido através de:

cursos + experimentações + observações + hipóteses + troca de informações.


- O conhecimento do nosso indigente, o rato de laboratório, é obtido através de:

REAÇÕES BOAS, MÁS OU PÉSSIMAS QUE SENTE NA SUA PRÓPRIA PELE!


Agora, a pergunta que não quer calar: vamos imaginar que, um rato recebe o dom de falar, e, durante uma experiência em que um profissional de pesquisa científica já está há uma semana sem falar, sem comer, sem dormir, sem piscar, com os olhos vidrados observando o comportamento e reações de um rato que, só pra exemplificar, ingeriu drogas ainda não estudadas, caso o rato colocasse-se de pé e falasse "Ei, acabaram-se seus tempos de dúvidas e angústias, porque gosto muito de conversar e vou falar tudo que estou sentindo, com o máximo de detalhes possível. Posso imprimir relatórios, dramatizar, desenhar, criar ilustrações. Ah..., sim, caso queira algo mais profissional, leve-me a um computador e elaboro rapidamente uma apresentação no PowerPoint!".

Você acha que, neste caso, o rato seria mais útil e poderia abreviar o tempo necessário para a conclusão dos experimentos? Sim? Obrigado, é a deixa que eu esperava. Permita-me apresentar-me: sou o rato, a partir de agora falo na primeira pessoa, e tenho algo a dizer com relação a depressão e pânico. Obrigado pelo silêncio que houve na sala. Onde estão os meus óculos...? Aqui... Deixa eu pegar minhas anotações... cadê... ok, vamos lá..

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A.A. Saúde Mental X Psicotrópicos F.C.

Cheguei a seguinte conclusão: Não dá pra fazer um cara com saúde mental plena, dentro dos padrões aceitos como normais, entender o que se passa na cabeça de um doente mental. São dois universos completamente diferentes. Dois times. Sim, podemos tratá-los como dois times de futebol, rivais entre si: o Associação Atlética Saúde Mental e seu grande rival Psicotrópicos Futebol Clube. Dá pra imaginar a conversa entre dois expectadores, assistindo o grande clássico:
- "Ei, porquê o atacante do Psicotrópicos não corre atrás da bola?"
- "Está desmotivado. Sofre de depressão profunda."
- "Ahhh, entendi... e porque o goleiro do Psicotrópicos está de costas para o campo, abraçado com a trave, tremendo e chorando?"
- "Ele padece de síndrome do pânico."
- "Ahhh, sim... ei, a arquibancada da torcida do Psicotrópicos está vazia, cadê os torcedores?"
- "Não vieram. Sofrem de antropofobia, medo de aglomerado de pessoas, de multidões..."
- "Ahhh, tá bom... mas... então seria fácil ganhar deste time... o que não entendendo é... porque os jogadores do Saúde Mental estão escondidos no vestiário e não vem ao campo para vencer a partida???"
- "Entendo sua dúvida. O problema é que estão intimidados pelo respeito à camisa do time adversário."
- "Nossa! Não sabia que o psicotrópicos tinha tanta tradição! E não só pela tradição, tenho que admitir, a camisa do Psicotrópicos é muito bonita!"
- "Não, não foi isso que eu quis dizer. Os adversários não estão com medo da camisa que o Psicotrópicos está utilizando no campo. Eles estão com medo é da camisa que o time veste quando está no hospital, porque tanto a zaga como o meio de campo vestem camisa-de-força por ser a única forma de garantir a integridade física e até a vida dos que estiverem por perto."
- "Ahhh, entendi..."

Há partidas de futebol que enchem o coração de emoção. Há outras que perguntamos porque fomos tão idiotas de ficar observando um lenga-lenga que acabou dando em nada...

Mas são coisas do esporte.

Viva o futebol!!!!!


sábado, 24 de setembro de 2011

Transformei-me numa barata!!!

Após reler o clássico Metamorfose, de Franz Kafka, vesti a carapaça, quero dizer, a carapuça. O antigo apresentador J. Silvestre (será que o cara ainda está vivo?) poderia chamar-me para o quadro "Esta é a sua vida" e explanar sobre mim a biografia da barata sem mudar uma vírgula e tudo se encaixaria. Para quem nunca leu o livro, ele conta a história de Gregório, um rapaz normal que mora com sua família. Após acordar de uma noite de sono como todas as outras, olha para si mesmo ainda deitado sobre a cama e descobre que durante o sono transformou-se em uma barata! O livro começa exatamente neste ponto, no day after, descrevendo as consequências físicas e psicológicas desta metamorfose, não apenas para Gregório, mas para todos que dividem o teto com ele. Grande Franz Kafka, ele não tomou partido, não impôs lições de moral, simplesmente discorreu a história expondo de uma maneira extremamente crua o quanto são frágeis os nossos laços sociais e familiares quando deparam-se com situações que fogem da normalidade (ainda que, não vou generalizar, acredito, sim, que toda a regra tem exceção).
      
Acho que todos nós, movidos a psicotrópicos, pacientes psiquiátricos, suicidas em potencial, principalmente os que não vieram doentes do berço, antes tiveram suas vidas, sonhos, trabalho, casamento, enfim, éramos pessoas normais, e hoje somos loucos ou meio loucos (em certo ponto acho que os loucos estão melhores  que os meio loucos, porque são justificados pela sua completa anormalidade, mas o meio louco, ou seja, um bipolar, não age como um normal mas é cobrado pelos atos da sua insanidade, pois intercala períodos de completa lucidez, colocando em dúvida a existência de uma enfermidade real...) , mas na prática, acredito que, aos nossos olhos e aos olhos daqueles que rodeiam-nos, transformamo-nos todos em um belo... (qual é o coletivo de baratas, mesmo...? Peraí, tô abrindo a página do google...) BANDO!!! Isso mesmo, fomos transformados em um belo bando de baratas! (quem quiser mais informações sobre baratas, recomendo este link, é informativo e muito bonito): http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/baratas.htm
  
Bom, para nós que somos baratas, não recomendo a leitura do livro citado neste post, pode ser uma dura experiência para os que já estão deprimidos.
  
Mas, para os familiares de baratas, dá uma lida lá, será muito bom. Vocês vão entender se surgir em nós, um dia, um medo infundado de vassouras e inseticidas... (Aos familiares em geral, fica aqui o meu respeito. O fardo de vocês também é pesado, que Deus vos ajude e dê-lhes muitas forças, sempre...)
      
(Opa, ainda em tempo, resolvi voltar neste post e editá-lo porque acompanhando as estatísticas do blog percebi que alguns acessos a ele foram feitos por pessoas que buscam na internet uma resposta sobre o motivo, o porquê Gregório transformou-se em uma barata. Porém, não há explicação para isto no livro. O autor realmente não preocupou-se em dar a resposta, pois quis focar não o motivo real, mas as consequências que ocorrem quando alguém torna-se, de repente, em algo ou alguém completamente fora dos padrões que a família e a sociedade estão acostumados. A barata é apenas uma alegoria, um símbolo, o que ficou representado no livro é que o "completamente diferente" torna-se um peso inconsequente para si , para sua família e para a sociedade como um todo, carregam-lhe como peso extra e desnecessário, ainda que esforcem-se para não enxergá-lo desta maneira. Tudo resolveria-se caso o "diferente" voltasse ao padrão aceito como normal, mas nem todos os casos de "despadronização" são reversíveis, muito pelo contrário, podem confirmar-se com o tempo como um processo de degradação crescente, por mais que queiram ajudá-lo, ou por mais que ele chore e deseje retornar ao estado anterior. O autor poderia ser mais específico, escolher um perfil, como por exemplo, um viciado em crack ou speed no último estágio do vício, que mora com sua família extremamente conservadora, ou outros diversos perfis que perfeitamente enquadrariam-se no estereótipo de "pessoa completamente fora dos padrões aceitos como normais", mas, ao definir o personagem principal como um inseto, todos os "diferentes" podem espelhar-se no "mocinho" da história. Detalhe, o autor não toma partido sobre as razões de Gregório e nem de sua família, na verdade descreve as dificuldades de ambas as partes diante de uma mudança de rotina tão drástica. Resumindo: o foco do livro não é a causa em si, mas os efeitos psicológicos sobre todos os envolvidos no contexto social e familiar, por isso não saberemos jamais o porquê Gregório transformou-se em um inseto, até porque, se quisermos entender assim, ELE NÃO TRANSFORMOU-SE EM UM INSETO, o inseto é apenas um símbolo).
  
Taí, logo abaixo, o link para baixar o livro. É de domínio público. Fiquem com Deus.


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Viva a lucidez!

Que maravilha...
A quantos dias não via o sol!
Preciso tirar o pó de mim mesmo
Estava no limbo,
sou fungos e bolor...
Ensaio lentos movimentos
e o corpo responde
gentilmente
aos comandos tímidos
de um cérebro que as vezes
quase desiste de si mesmo.
que pena...
aqui não valem as leis da física
defendidas pelo gênio
de olhar meigo e complacente
que expandiu nossos conhecimentos
e fez comum o extraordinário,
o inimaginável:
voltei de outra esfera,
outra dimensão
outra órbita
outro sistema
outro espaço
fora dos limites onde
tempo e espaço são regidos
pelo grande astro
o maior astro dentro do nosso campo
(humano) de visão.
Quando voltei da longa viagem
aterrissei.
Esperava ver tudo e todos envelhecidos menos eu
mas foi o contrário
Só vejo a mim mesmo cada vez mais velho e cansado...
mas... que importa?
O importante é que a luz apareceu novamente!
Posso ver o dia!
Posso respirar!
Comemoro a trégua do meu calabouço
como um novo nascimento
porque a vida
entrou pela janela
tomou-me pela mão
mostrou-me a escada
e agora assiste-me
subir cada degrau, lentamente,
sendo tocado pela luz.
Luz...
o "resplandecente", o "brilhante", o "luzente",
todos são adjetivos de luz.
Lúcido também.
Santo adjetivo, este, lúcido,
para quem vem subindo do poço da tristeza e escuridão.
A vida deve ser iluminada, cheia de luz, de lucidez.
Acho que a vida tem tudo a ver com a lucidez!
Viver é algo que, se não pode ser explicado,
pode ser sentido
através dos sentidos.
O cérebro e os sentidos estão entranhados
Sem os sentidos a vida perde o sentido
pois seríamos só pensamento
algo abstrato
Não seria prazeroso viver sem sentidos
pois se é o pensamento que traz a consciência da existência
são os sentidos que forjam o sabor de estar vivo
Mas o bom e velho cérebro continua sendo vital
Que Deus vele pelo nosso cérebro
e amplifique sua existência
porque ainda que o corpo
como um todo
esteja intacto
morrendo o cérebro
todos os sentidos e sabores serão nulos,
logo, pensamento e sentidos,
são inter-dependentes entre si,
mutuamente se ajudam.
Completam-se.
Mas deixo agora os pensamentos
e invoco os sentidos
pois comemoro isso:
este dia específico
em que vou saindo do poço
não vejo alucinações
não ouço zumbidos
não me norteio pelos medos
há quantos dias eu não sabia
o que era viver sem delírios...
Subi com facilidade estes degraus
e me vejo agora, já na borda do poço
sinto a brisa do campo aberto
estava com saudades do sol
Quero eternizar este momento
ainda aqui, na escada
de olhos fechados, que bom sorver o ar...
(...)
... espere...
(...)
desculpe-me, estou tonto...
Ei... porque está tudo escuro?
(...)
Ah....
(...)
entendi...
posso ver...
caí para trás...
estou no fundo do poço
de novo...
(...)
Que ironia... nunca gostei do lodo
sempre falei mal do lodo
mas fui salvo pelo lodo:
a queda foi amortecida
pelo lodo
que havia no fundo do poço...
e, como diria
o saudoso poeta urbano:
ói nóis aqui travêis...
Comemorei cedo demais
o despertar sem delírios
mas já era delírio pensar que estava lúcido...
Devo confessar:
foi criativa, a alucinação...
transmutou-se,
diversificou-se,
reinventou-se
a intenção foi boa, tirou-me da rotina
mas, bom mesmo, seria
se fosse real...
Ora pois, como dizem os lusitanos,
fazer o quê...
Lentamente vai se firmando
este que deve ser
meu novo estado
definitivo de normalidade.
Bom, estou cansado
e sem coragem
indisposto para chorar mais um pouco
todo leite derramado
Não sei se é comodismo
(ou, estratégia de sobrevivência?)
mas vou tratar
este lugar
como um lar...
desculpe-me,
peço-lhe licença,
vou consertar uma torneira que está pingando...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Medo...

Vontade de dar um grito,
ou calar-se para sempre...
De ficar parado, ou correr,
de não ter existido
ou deixar de existir (morrer)...
Não há razão quando a mente não funciona
(redundante, não?)
Vão extinguindo-se as questões
mesmo sem respostas
Perde-se, neste estágio,
a vontade de saber
O futuro é como o presente:
É coisa nenhuma, é lugar nenhum.
Morreu a curiosidade,
Morreu o sabor,
Morreu o paladar...
parece que a vida está vencida...
Tenho medo de não ter mais medo
Queria encontrar minhas convicções...
Deus está em um lugar firme, inabalável,
não pode ser tocado pela nossa falta de confiança,
até porque, na verdade, confio nele,
o problema é que já não confio em mim mesmo:
não existe equilíbrio para mentes sem governo...
A química disfarça, retarda a degradação,
mas não cura a mente completamente
e não existem, em Deus, obrigações:
já nos deu a vida, o que não é pouco,
a chuva, o ar, os dias e noites
Curar está nele, mas, apenas retardaria a morte
já que seremos vencidos pelo tempo
(este é o destino dos homens)
e seremos ceifados num dia que não sabemos
num instante que mira nossa vida
e corre rápido ao nosso encontro lentamente
(ou rasteja lento ao nosso encontro rapidamente?)
Sei lá...
Mas não sei se quero estar aqui
para assistir o meu fim...
Queria estar enclausurado, escondido...
As amizades que restam vão se extinguindo
e os que insistem na proximidade
são os mesmos que insistirão na distância,
o máximo de distância possível
A vida continua o seu ciclo,
é necessário bom senso:
não caia uma árvore velha, podre, sobre as que ainda estão nascendo
Os que querem morrer deixem em paz os que vão vivendo;
os que querem viver deixem em paz os que vão morrendo.
Eu disse bom senso?
Ora, em estado de pânico não se encontra bom senso
nem princípios, nem razão, nem discernimento,
nem força alguma.
Torna-se um alvo fácil,
condenável pelos que estão em são juízo,
e questionam: onde está sua fé?
e respondo: ela estava aqui agora mesmo...
ela não se extingui, mas parece que as vezes se esconde de mim...
o problema é que, quando a mente está sem governo
(falo de um homem enfermo)
é como um caminhão que perde o freio
descendo a serra do mar...
perde-se o contato com a fé e com tudo o que há...
e por alguns instantes (angustiantes)
não encontramos apoio, nem arrimo, nem chão, nem parede, nem mão...
ah... quem dera, quem dera...
que a mão de Deus me sustente neste instante...
em que viver é tão ou mais difícil que conjugar todos os verbos...
porque sou, neste momento
a pessoa menos confiável para cuidar de mim mesmo...
tenho medo, medo...
medo de perder o medo
de sair da vida pela porta de saída...
medo de perder o medo
de apertar o botão "Desliga"...


Tratado sobre o suicídio

Decididamente: não admiro os enforcados.
Estar ali, pendurado,
instalação surreal,
arte macabra, inusitada,
lentos movimentos
cronometrando o tempo,
emulando pêndulos,
que não estimulam o gênio
de Galileus ou Galileis...
Afora o trabalho que dá;
muitos elementos a considerar:
precisa-se de uma corda,
um banquinho bem alto,
uma viga para amarrar a corda.
Massa corpórea
vezes altura do banquinho
vezes comprimento da corda
vezes pressão atmosférica
vezes força da gravidade
vezes alinhamento de Marte com Saturno
vezes cotação do dólar,
enfim, haverá na física uma fórmula
que possa livrar o suicida
da tortura do último cálculo?
Não, essa forma não me cabe,
imagino o desconforto,
não gosto que nada aperte-me o pescoço,
afrouxo a gravata em dias ensolarados...
Um tiro na cabeça é
outra forma de despedir-se,
os neurônios remanescentes
nem tem tempo de reagir,
mas... descarto,
meu ouvido é sensível,
não quero levar para o além
o cheiro da pólvora
nem o eco do estampido
do último tiro
disparado próximo ao ouvido.
Outros preferem saltar de edifícios
executam evoluções aéreas
até que mergulham
em lagos de granito.
A turba está agitada,
não é todo dia que
assiste-se um suicídio
A área é isolada,
alguém empunha uma faixa
"Por favor, não pule !"
Chegam a imprensa,
os bombeiros,
o celular com a voz de um amigo,
a multidão quase não pisca ou respira,
Oh, meu Deus! Tomara que não pule!
Ele não pode pular!
Mas lá no fundo,
bem no fundo,
torcem pelo pior,
para que possam chegar em casa
e anunciar em primeira mão:
"Eu estava lá, eu vi, foi horrível ! ..."
Eu gostaria de frustrar essa gente
que não torce por nós
que põe holofotes sobre nossas tragédias,
assentam-se em arquibancadas
e assistem nossa vida
como se ela fosse
um picadeiro de circo.
Eu iria lá no fundo do prédio,
onde ninguém estivesse olhando e,
sem nenhum sinal ou aviso,
pularia e diria bem baixinho:
good bye.
Mas ... não ...
não faria isso...
poderia cair sobre um passante, um transeunte.
E... jogar-se na frente de um carro?
Não, também não,
muito deselegante:
estragaria a lataria
do carro alheio
e não ficaria por aqui
para pagar o conserto...
há de considerar-se, ainda,
um atropelado não pode ser tocado
até chegar a perícia,
torna-se um morto inconsequente
ao causar um dos maiores suplícios
do mundo civilizado,
que atinge a humanidade,
os que vivem em megalópoles
ou mesmo micro cidades:
tráfego - de - veículos - interrompido.
Não concordo com isso ou aquilo
A morte deve causar o mínimo
de consequências possíveis
para aqueles que não tem nada a ver com isso
não pode atrapalhar o trânsito
de veículos ou destinos.
E... queimar-se?
Sem chance, só se o cérebro morresse primeiro.
Na verdade, só aplicaria esse método
caso fosse inimigo
de mim mesmo,
incinerar-se não é suicídio, é auto-punição,
o corpo arde enquanto o cérebro,
protegido, blindado,
dentro da caixa craniana,
espera o tempo
interminável em que
cada segundo é eterno
e a mente consciente espera
uma morte tão lenta que
parece nunca chegar...
Então... será melhor afogamento?
Sufocamento?
Tipo morte por asfixia?
Nem pensar, já tô ficando com falta de ar...
Todas as formas são horríveis
tudo causa angustia, dor, sofrimento...
Ah... quem dera...
morrer sem sofrer
morrer sem sentir dor
morrer uma morte suave
morrer com beleza, com poesia...
como estar assim,
sentado sobre o piso de azulejos
a água quente caindo do chuveiro
uma névoa branca de vapor
perfumada, por misturar-se ao cheiro
de sabonetes e shampoos
e um líquido vermelho, viscoso, jorrando
do corte profundo no pulso
diluindo-se na espuma branca
e criando belos degrades
que vão do vermelho-sangue
ao rosa-bebê
esvaindo-se pelo ralo
junto com a água,
junto com a vida,
e essa dormência,
e esse torpor,
e essa tontura,
e essa deliciosa...
vontade de...
dormir...
...
..
.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Consegui parar de tomar Pondera!

Eis aí a foto do meliante, o dito cujo Pondera. Diz-se que é caro e eficiente, mas, na maioria das vezes, é só caro.

O título deste post também poderia ser "Consegui parar de tomar Cloridrato de Paroxetina", que no Brasil é comercializado sob o nome de Pondera, Roxetin, Paxtrat, Paxan, Benepax, Cebrilin, Aropax, Arotin, Depaxan, Moratus, Parox, Paxil, Paxtrat, Roxetin, Sertero, Ziparox, diversos nomes, mas no fim são tudo a mesma coisa...


A bula do Pondera diz que o remédio não causa dependência, correto? Mas então porque não conseguimos abandonar o uso rapidamente? Porque devemos reduzir a dosagem gradativamente, lentamente, como se fossemos usuários de morfina ou heroína???

Bom, fui diminuindo a dosagem de 40 mg até chegar nos 20 mg, minha meta era diminuir para 15 mg, depois 10 mg, 5 mg, -5 mg, sei lá... mas a verdade é que 20 mg estava no meu limite, mesmo tomando esta dosagem eu sentia um mal estar, um começo de crise de abstinência, e olha que não tomei o medicamento por muito tempo, apenas nove meses, pouco tempo comparando com pessoas que tomaram por anos e anos. Parar de uma vez, sem chance, acredito que a morte não incomode tanto quanto a sensação de desespero, de loucura que dá, cinco dias após a parada abrupta do consumo do dito remédio (mas, fala a verdade, Pondera é um nome até bonito, não é?).

Seguinte, por motivos de força maior (não vou assumir que foi por falta de dinheiro) fiquei alguns dias sem tomar o belo comprimido. Já estava indo pelo quarto dia e quando estava começando a crise de abstinência, encontrei, abandonada, uma caixa de Rivotril que haviam receitado para minha (ex) mulher.

Já sei de longa data que o Rivotril, esse remédio tão popular aqui no Brasil, causa dependência. Aliás, deve ter criado muitos viciados antes que os laboratórios assumissem que o remédio de nome simpático é, apesar do relativos "benefícios", uma droga cruel, com muitos efeitos colaterais e difícil de ser abandonado.

Mas sei também que o Rivotril é largamente receitado para depressivos, bipolares, portadores de toc, fobias, enfim, para as pessoas que fazem parte do nosso mundinho.

Bom, como quem não tem cachorro caça com gato, eu tomei um comprimido de Rivotril para ver se controlava a crise de abstinência, e, vocês acreditam, deu certo??? Porém o mais maravilhoso aconteceu sem eu perceber: quando passou o efeito do Rivotril (senti o efeito dele por três dias) eu já havia superado o período crítico da crise de abstinência e quebrado o ciclo de dependência do Pondera! Lembrando, o meu tratamento provisório já havia terminado, a minha briga era só para conseguir parar de tomar o remédio.

Pela lógica (de programador, não de médico) acredito que deu certo porque os dois remédios são indicados para algumas finalidades em comum, porém possuem princípios ativos diferentes: o Pondera é Cloridrato de Paroxetina e o Rivotril é Clonazepam.

Há pessoas que tomam o Rivotril e o Pondera ao mesmo tempo, acredito que, neste caso, seja interessante abandonar o uso de um dos remédios, ficar só com o Pondera, por exemplo, para se libertar do Rivotril. E fique alguns meses (uns três, quatro, ou cinco meses, ou até se sentir liberto do remédio) tomando somente o Pondera para o organismo se desacostumar dos efeitos do Rivotril). Bom, chegando neste ponto, está na hora de escolher o dia D. Tudo pronto? Então vá!!!! Pare também com o Pondera, mas, atenção, é necessário ter timing, não pode adiantar muito nem atrasar, tem que ser mais ou menos preciso como uma prova de atletismo de corrida de revezamento com troca de bastão: depois de alguns dias que descontinuar o uso do pondera, quando perceber que esta quase começando a crise de abstinência (acredito que varia de pessoa para pessoa, no meu caso começou um pequeno mal estar no quarto dia), quando conseguir avistar de longe os batentes da porta do inferno, tome um único Rivotril só para anular o "veneno" do Pondera.

E aí, vai seguir minha receita? Sério? Bom, se você acredita que é melhor ouvir o conselho de um programador do que procurar um médico especialista, então, desista, você tá louco mesmo. Talvez seja a hora de se internar...

Boa Sorte. Vou orar por você.



sábado, 22 de janeiro de 2011

A Flauta de Madeira

Tenho uma flauta transversal de madeira. Rara. Belíssima. Som aveludado. Não conheço sua história, seus trancos, barrancos e solavancos. Quem a tocou, quem a possuiu. Se foi de um compositor, solista de uma orquestra, um professor, aluno ou de um simples amante da música.
  

O pouco que sei dela traduz-se nisso: meu irmão mais velho achou um anel velho que saltava para fora de uma lata de lixo. Levou o anel à um antiquário e viu lá o que sobrou de uma antiga flauta transversal que resumia-se em madeira trincada, molas relaxadas, sapatilhas ressecadas, mecanismos travados e parafusos faltando. Sugeriu ao dono do antiquário fazerem uma troca “elas-por-elas”, “pau-a-pau”. Aquele senhor, provavelmente, estava muito ocupado, e, lixo-por-lixo, topou a troca na hora, dispensando meu irmão.
  
Bem, meu irmão nunca interessou-se por flauta, e como sabia que gosto de música e, particularmente, de flauta-transversal, uniu-se a meu pai e fizeram uma bela reforma (por não existirem peças para reposição, algumas foram feitas no torno). Resultado: ganhei de presente um instrumento belíssimo que, pelo imenso valor que tem para mim, imagino que jamais conseguirei retribuir-lhes. Já recebi ofertas de outros (verdadeiros) flautistas. Mas dessa não desfaço-me e não vendo por nada. Não vendo, não empresto, não alugo. Ponto.
  
Pesquisando a história das flautas transversais, vendo fotos, desenhos, verifiquei que Boehm apresentou um modelo parecido em 1832 (utilizo o modelo de Boehm, o inventor, como referência, porém a minha flauta é da marca ‘Le Conté - Paris’ , francesa, presumo, da qual, na data em que efetuei a pesquisa, não encontrei nenhuma referência histórica). Porém, pela similaridade, acredito que minha Le Conté tem mais ou menos um século e meio, até porque o próprio Boem abandonou os modelos de madeira e, por motivos acústicos e de afinação que ele defendia, optou pelo metal e apresentou um modelo de prata em 1847. Tenho certeza que jamais viverei um século mas a flauta caminha para o segundo. Sei que, com um pouquinho de cuidado, mesmo depois que eu partir ela ficará por aí. Um bom tempo ainda, é o que desejo para ela.
    
Tenho uma filha linda (todos os meus filhos são lindos, modéstia a parte). A Mônica (é o nome dessa maravilha a quem me refiro) sempre gostou de música. Gosta de ouvir, tocar, já tocou na fanfarra da sua escola, toca algumas notas no trumpet do seu tio e toca flauta (apenas de ouvido, sem leitura musical) com doçura, afinação e divisão suficientes para ser acompanhada por outros músicos com seus instrumentos. Esperto como quero ser, criei um plano para a flauta não sair das mãos da minha descendência: combinei com a menina que lhe deixarei a flauta, como herança e recordação, desde que ela vá com a mesma no meu velório e toque o hino 433 do hinário 4 da CCB, perto do meu caixão. Ela mostrou-se sensibilizada, comovida, agradecida por poder ficar com a relíquia, mas, como não gosta de ir a enterros, velórios ou funerais, vai tocar e gravar o referido hino em MP3 e pedir que alguém leve o tocador e deixe-o ligado dentro do caixão, próximo ao meu ouvido entupido de algodão.
  
Viva a tecnologia! E essa capacidade humana de adaptar-se as mais difíceis situações...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sobre o S.O.S. Dicas e Truques C# .NET:

Após uma longa trajetória que iniciou-se no ambiente DOS com a linguagem Basic, depois de respirar muito Clipper em monitores monocromáticos e computadores que para aqueles tempos longínquos eram rapidíssimos, e depois de aterrissar na plataforma windows e lançar minhas raízes, finalmente entrei neste território desafiador e interessante chamado .NET (leia-se dotNET).

No Windows, como boa parte dos programadores que vieram do Clipper, namorei e tive casos com diversas linguagens, mas, matrimônio, mesmo, só com o Delphi. Sobre a experiência que tive com o Delphi, fiz cursos, assinei revistas, li apostilas, acessei fóruns, comunidades, e, como muitos programadores, um dia encontrei um tal de "800 dicas e truques do Delphi" disponível para download. Bom, não vou dizer que foi paixão a primeira vista. Foi vício mesmo. Eu abria os menus do help rindo sozinho, batendo o punho na testa e no joelho, deliciando-me ao ver tantas informações preciosíssimas ali, reunidas, todas ordenadas, com títulos pra lá de sugestivos que quase diziam "Pode abrir, aqui está o que você procura!", tudo separado por temas, ao alcance de um click, trazendo textos pra lá de enxutos, sem firulas, sem discursos acadêmicos, apenas aquelas preciosidades já na forma de exemplos aparentemente simples, mas que, na prática, nos arremessavam à história do mecânico que conserta a máquina com apenas uma martelada, mas cobra caro pelo serviço por saber o lugar exato onde bater o martelo. O 800 dicas e truques do Delphi parecia uma mão que nos ensinava gentilmente o lugar onde dar cada martelada. Como conseqüência, para mim, internet e Google deixaram de ser imprescindíveis para o desenvolvimento, pois parecia que todo o conteúdo da internet a respeito de dicas de programação em delphi estavam ali, reunidas, num aplicativo instalado na minha máquina, disponíveis mesmo se desse um pau no provedor ou abduzissem o Speed ou acabasse o mundo e sobrassem apenas o meu micro e uma tomada de energia elétrica. Sim, eu continuaria tendo acesso a todas aquelas informações valiosas. Detalhe: tudo FREE!. O autor deste help, o José J. Carvalho Júnior da LloydSoft deveria ser condecorado em praça pública, e, após a morte, ter seu corpo embalsamado e velado por duzentos anos, por ter disponibilizado tantas dicas e truques na forma de um simples help, resistindo a tentação de montar um site com acesso liberado apenas para assinantes, e termos que ouvir aquela justificativa de sempre "Bom, vocês sabem..., temos que cobrar porque temos custos para manter o site no ar e blá-blá-bla´...". No help gratuito e facilmente encontrado para download há dicas para iniciantes, coisas assim, bem básicas, mas também dicas de programação avançada, que não usamos no dia a dia e talvez jamais iremos utilizar, mas, que importa? Você pode nunca precisar usar todas as ferramentas de um canivete suíço, mas o charme e segurança é saber que ele está ali, disponível, pendurado no seu chaveiro, pronto para qualquer emergência. (Ah, sim, se você é um programador em Delphi e abriu este blog por acaso ou curiosidade, caso não conheça o 800 dicas e truques do delphi, faça uma busca e um download, e acredito que aquilo que verá o deixará tão fascinado quanto eu).

Bom, se estou fornecendo um link para baixar um help de C# / .NET, por que, afinal de contas, estou me derretendo em tantos elogios para um help do Delphi?

Eu explico:

Alguns programadores (me incluo neste grupo) que migram de uma linguagem para outra, querem, num primeiro momento, descobrir na nova linguagem a maneira de fazer as mesmas coisas que faziam na linguagem anterior, mesmo que apenas o básico, o feijão-com-arroz, enfim, acho que é psicológico, parece que dá uma certa segurança migrar desta maneira, quebra o gelo, vence-se o trauma da necessidade de mudar, ou pelo menos dá coragem para continuar. Quem já passou por isso sabe do que estou falando, ainda que, quando trata-se de mudança de plataforma de desenvolvimento, isso é menos que encontrar apenas a ponta do iceberg. Normalmente passa-se um bom tempo até que você realmente domine um ambiente, uma linguagem, até tornar-se fluente na comunicação com a máquina, o suficiente para ser capaz de desenvolver um projeto inteiro no cérebro em questão de segundos, com começo meio e fim, antes mesmo de por a mão na massa, e de repente vê-se obrigado a entrar no território desconhecido de uma nova plataforma. bom, isso é humano, sim, acredito que seja humano, quando perdido, buscar referências, marcos antigos, rostos conhecidos no meio da grande multidão. E quando me vi só, clamei por um help do C# e .NET, tinha que ser no mesmo padrão do 800 dicas e truques do Delphi. Porque? Porque aquele help tornou-se tão importante para mim que meu cérebro ficou condicionado a ter algo semelhante para qualquer linguagem de programação! Meu cérebro associou um help de dicas e truques à própria linguagem. Eu precisava de uma muleta semelhante para o .NET. A partir deste momento, começaram os meus dias de angústia e procura (dramático, não?). Tinha que estar em algum lugar..., em algum site..., em alguma comunidade de desenvolvedores... O Google era meu aliado e esforçava-se bastante, a cada tentativa minha ele se contorcia, varria a web turbinado por seus algoritmos, mas não conseguia achar o link para o tal help de dicas e truques do C# e .NET, o qual, eu insistia: Existe... eu sei que existe... tem que existir...

Bom, meu caso não é simples. Não me descrevo como um usuário ocasional. O meu caso é patológico, clínico. Criei um estado de dependência fisiológica, psíquica. Viciado. Sim. Viciado, mesmo. Esse é o termo.

E como a vida de um viciado gira em torno de sua dependência, decretei:

SE NÃO EXISTE UM HELP DE DICAS E TRUQUES DE C# / .NET VOU CRIAR UM, EU MESMO, PARA USO PESSOAL.

E começou assim. Agi como aquele usuário, portador de outro vício, que planta a erva no fundo do quintal não para comercializar, apenas para consumo próprio.

Algum material eu já tinha, muita coisa recolhida de sites, fóruns, tutoriais, artigos, tudo obtido através da tecnologia Ctrl+C / Ctrl+V, ou de copy / past como preferem os mais novos. Tudo na forma de pdf, doc, txt ou cópias de páginas de sites inteiras, mesmo, em formato HTML. Tudo dentro de uma pasta, com títulos sugestivos, mas sem aquela facilidade das buscas em um arquivo help do tipo chm, em que você digita uma palavra e clica em Search, e o help lista todos os tópicos que possuem aquela palavra. Após jurar para mim mesmo que faria meu próprio help, o primeiro passo foi procurar um aplicativo que gerasse helps no padrão chm. Encontrei uma ferramenta excelente para esta finalidade, simples de usar e que, de quebra, gera os helps tanto no padrão chm, como pdf, eBook, etc. Posso fazer uma propaganda gratuita? Essa ferramenta é o HelpAndManual5, que tem sido, sinceramente, muito além de todas as minhas expectativas. Não digo que seja a melhor porque não conheço outras ferramentas e nem sei tudo o que eu poderia esperar de um aplicativo desta categoria, mas não quis conhecer outras ferramentas do gênero porque a simplicidade de operação do HelpAndManual5 é assustadora, e eu realmente esperava algo mais complicado. Em questão de uma ou duas hora eu já havia inserido todos os “meus textos“, com muita facilidade, clicando sobre algo semelhante a uma árvore de diretórios do Explorer, onde eu criava um título para o novo tópico e em seguida colava o texto, e quando queria mudar algo de posição, clicava e arrastava com o mouse um tópico para cima de outro, e automaticamente agrupavam-se os tópicos por tema, como se fossem subpastas. Mais simples impossível. Na hora de compilar apareceram as diversas opções. Havia a opção de gerar o help em formato chm, e fui direto a ela, mas posteriormente o help no estilo eBook me conquistou. Muito mais bonito e a forma de busca é semelhante a do chm. Subestimei o formato PDF, pensei, deve ser a coisa mais chata deste mundo, feia e nada prática. Gerei o help em PDF, uma vez, só pra não dizer que não falei das flores. Ao abrir e ver o resultado, confesso: eu chorei... Sem que fosse minha intenção original, em nenhum momento me esforcei para isto, mas o HelpAndManual5 gerou para mim UM LIVRO! Um livro tão padrão que para imprimir bastava copiar o PDF no pen-drive e mandar para uma gráfica ou editora! Nesta hora, lembrando dos meu sonhos de criança, coloquei a mão em palma sobre o peito e sussurrei para mim mesmo: “Parabéns, você escreveu um livro...”

A minha intenção é, muito em breve, disponibilizar aqui, neste blog, links para download do S.O.S Dicas e truques C# .Net nos padrões .cwm, ebook e PDF, idênticos no conteúdo, mas moldados ao gosto do freguês.

Até breve!